Uma movimentação silenciosa de magma sob vulcões etíopes foi registrada do espaço. Pesquisadores uniram imagens de dois satélites de radar distintos para observar, à distância e sem qualquer perfuração, como a rocha fundida se desloca abaixo da superfície em uma região vulcânica da Etiópia. O fenômeno subterrâneo não chegou a provocar erupção visível.
Região monitorada de perto
A área analisada fica no Vale do Rift Etíope, zona vulcânica que reúne diversas estruturas ativas. Entre elas está o vulcão Erta Ale, uma das poucas crateras no mundo que mantém um lago de lava permanente. O local é acompanhado com atenção pelos cientistas por causa do histórico de intensa atividade geológica e da proximidade de comunidades locais.
Dois satélites, uma única visão
A equipe cruzou informações dos satélites europeus Sentinel-1 com registros da constelação italiana COSMO-SkyMed. A leitura combinada empregou a técnica de interferometria de radar de abertura sintética, a InSAR, capaz de identificar movimentações no terreno de apenas alguns milímetros ao confrontar capturas de radar feitas em momentos diferentes sobre a mesma região.
O que o radar enxerga de longe
Com as duas fontes de radar somadas, os pesquisadores conseguiram acompanhar simultaneamente elevação, subsidência e deslocamento lateral do solo. São três tipos distintos de movimento que, reunidos, compõem um retrato bem mais completo da reação da crosta terrestre à passagem do magma do que cada satélite conseguiria oferecer isoladamente.
O episódio em números
Entre dezembro de 2024 e março de 2025, aproximadamente 1,4 quilômetro cúbico de magma percorreu cerca de 50 quilômetros por baixo da superfície, segundo o estudo publicado na revista Science Advances. Todo o deslocamento foi registrado no subsolo, sem que uma erupção visível confirmasse, de imediato, que esse volume de rocha fundida estava realmente em movimento.
Previsão de risco sem furar o vulcão
Acompanhar a forma como o terreno sobe, afunda ou se move lateralmente permite aos cientistas deduzir onde ficam os reservatórios de magma e quais caminhos ele segue sob a crosta. A abordagem dispensa perfurações físicas, corta custos e reduz riscos de monitoramento, além de possibilitar a observação de áreas remotas ou de difícil acesso com a mesma precisão de instrumentos instalados diretamente no solo.
Mais informações sobre a pesquisa constam na reportagem original da Indian Defence Review.
