Senado vota nesta quarta a PEC do fim da escala 6×1
O plenário do Senado coloca em votação nesta quarta-feira a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala 6×1, regime em que o trabalhador cumpre seis dias de jornada seguidos e descansa apenas um. A sessão promete um embate de narrativas entre a base governista e a oposição, que têm objetivos opostos quanto ao ritmo da tramitação.
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva querem concluir os dois turnos de análise ainda nesta semana — se possível, já nesta quarta. A estratégia encontra resistência entre parlamentares que apoiam a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Nos bastidores da campanha, a avaliação é de que a aprovação da medida pode favorecer o petista nas urnas; por isso, o grupo atua para evitar uma tramitação tão célere.
Base governista tem dois objetivos na sessão
Para o governo, a votação desta quarta-feira carrega dois desafios prioritários. O primeiro é impedir que ajustes ao texto da PEC sejam aprovados no plenário. O segundo é assegurar a aprovação do requerimento de quebra de interstício, mecanismo que dispensa o intervalo entre os turnos e permite que a medida seja analisada em segundo turno imediatamente após o primeiro.
A oposição segue o caminho contrário. Os senadores contrários ao governo tentam emplacar mudanças na proposição e apostam na obstrução dos trabalhos para retardar a votação. A meta do grupo é impedir que a promulgação do projeto ocorra às vésperas do segundo turno das eleições.
Alcolumbre se mostra disposto a colaborar com o Planalto
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, aparece como peça central do jogo. Ciente de que parte da oposição resiste a apoiar sua recondução ao comando da Casa em fevereiro, o senador está disposto a fazer o jogo de Lula e entregar o avanço do texto, para que o presidente possa usar o fato político a seu favor junto ao eleitorado.
Definido o cenário, a sessão desta quarta deve mostrar se a base governista consegue cumprir seu cronograma ou se a obstrução opositora será capaz de empurrar a votação para além da semana.
