A disputa eleitoral no Distrito Federal reuniu um contingente expressivo de nomes ligados ao Executivo local. Ao todo, 12 ex-secretários das gestões de Celina Leão (PP) e de Ibaneis Rocha (MDB) entraram na corrida por mandatos legislativos. O saldo final, porém, ficou muito aquém do tamanho do grupo: apenas um deles conseguiu se eleger.

Do total de concorrentes, cinco tentaram uma vaga na Câmara dos Deputados. Os sete restantes direcionaram as candidaturas a outras casas do Legislativo. A conta final evidencia o baixo aproveitamento: dos 12 nomes lançados na disputa, 11 encerraram a eleição sem mandato — um índice de sucesso de apenas 8,3%.

Cinco candidaturas à Câmara federal

Cinco dos 12 ex-secretários escolheram tentar uma cadeira na Câmara dos Deputados, sede do Legislativo federal, em Brasília. A opção é um caminho frequente para nomes que saem de secretarias, já que o mandato federal amplia a vitrine política do parlamentar. Os demais sete candidatos do grupo concentraram suas candidaturas em outras casas legislativas.

Do cargo ao voto: um salto difícil

O desempenho do grupo expõe uma dificuldade conhecida na política brasileira: converter a exposição obtida no Executivo em votos. Comandar uma secretaria garante visibilidade, pauta e trânsito junto a setores da população, mas esses ativos não se transformam automaticamente em preferência do eleitor, que avalia trajetória, alianças e o clima político no momento de votar.

Para os 11 que não obtiveram êxito, o resultado significa ficar fora das casas legislativas e abrir mão da tribuna e do poder de voto que um mandato proporciona. A derrota também interrompe, ao menos por agora, trajetórias construídas dentro da máquina pública do Distrito Federal.

Reflexos para Ibaneis e Celina

Para Ibaneis Rocha e Celina Leão, o baixo aproveitamento eleitoral do núcleo de ex-secretários reduz a presença direta do grupo no parlamento. Com um único representante, a capacidade de articular pautas e influenciar decisões no Legislativo tende a ser limitada, sobretudo em um cenário de disputas multipartidárias.

O resultado também funciona como um termômetro da força do grupo fora do Executivo. A conversão tímida de candidaturas em mandatos indica que o capital político acumulado nas secretarias não se sustentou diante da concorrência nas urnas — um dado que deve entrar no cálculo das articulações políticas do Distrito Federal nos próximos anos.

O volume de ex-integrantes do primeiro escalão lançados à disputa mostra que as duas gestões tinham nomes suficientes para montar uma frente expressiva nas eleições. O que faltou, à luz do resultado, foi a aprovação das urnas: do grupo inteiro, um só nome seguiu para o parlamento.