O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad afirmou nesta segunda-feira (12) que o caso Master pode se transformar em uma chance de apurar irregularidades em todo o país — inclusive dentro do Poder Judiciário. A declaração foi dada em entrevista ao Estúdio i, da GloboNews.

“Eu sou da opinião de que é uma grande oportunidade de passar o país a limpo, incluindo o Judiciário”, declarou.

Plano de blindagem

Questionado sobre se o governo demorou a perceber que a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal poderia atrapalhar a campanha à reeleição do presidente Lula (PT), Haddad respondeu que acompanhou os indícios de fraude no banco desde o início, mas que não imaginava que o caso pudesse alcançar o Judiciário.

“O que não se imaginava é que isso pudesse envolver o Poder Judiciário, como a gente está notando. Ele [Daniel Vorcaro] realmente urdiu ali um plano de blindagem envolvendo muita gente. Eu penso que o governo nem tinha condições de saber até onde iam os tentáculos do Master”, disse.

O ex-ministro defendeu a liquidação da instituição e a atuação da Polícia Federal e do Ministério Público nas apurações. Ele lembrou que não era a autoridade responsável pela regulação — tarefa do Banco Central —, mas disse que se empenhou para que as irregularidades fossem combatidas.

Entregas não bastam

Na entrevista, Haddad também comentou o resultado do primeiro turno, no qual Lula ficou atrás de Flávio Bolsonaro (PL). Para ele, a campanha precisa unir a apresentação das realizações do governo a propostas voltadas para o futuro.

“O presidente Lula leva uma vantagem tremenda sobre qualquer antecessor, mas isso hoje não é garantia de êxito numa eleição”, avaliou.

Segundo o ex-ministro, prestar contas é necessário, mas não basta para conquistar um eleitorado apreensivo com temas como emprego, mudanças climáticas, inteligência artificial e automação.

“Prestar contas é importante, mas é fundamental você dialogar com o futuro em torno de um projeto que baixe a angústia da pessoa”, afirmou.

Haddad projetou um segundo turno “apertadíssimo” e disse que ainda não é possível prever o resultado. Ele afirmou, porém, acompanhar com esperança a mobilização de apoiadores nas redes sociais e nas ruas, na expectativa de reverter o cenário do primeiro turno.

Futuro na política

Indagado sobre a possibilidade de assumir a Casa Civil em caso de vitória de Lula — e sobre seus planos se o presidente perder —, Haddad não confirmou a ida ao ministério. Garantiu, no entanto, que seguirá na vida pública independentemente do resultado eleitoral.

“Cidadão eu vou ser sempre e vou atuar sempre na política, de acordo com as minhas convicções”, encerrou.