Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) protagonaram nesta terça-feira (29) o último debate entre os candidatos ao Governo de São Paulo nas eleições de 2026. O encontro, promovido pela TV Globo, foi marcado pela nacionalização da disputa e por embates sobre saúde, educação, transporte e a relação do governador com o ex-vereador Milton Leite (União Brasil).

Confronto nacionalizado

Haddad, que deixou o Ministério da Fazenda em março, vinculou Tarcísio ao governo Jair Bolsonaro ao mencionar a gestão da pandemia de Covid-19, afirmando não haver “tragédia maior” do que a herdada do governo anterior. O governador é aliado da família Bolsonaro — o senador Flávio Bolsonaro (PL) é o adversário de Lula na corrida presidencial. Nas considerações finais, o petista classificou o senador como “uma ameaça pro país” e disse que ele “está envolvido em todos os escândalos”.

Tarcísio reagiu citando o número recorde de pedidos de recuperação judicial no governo Lula 3 e criticou a passagem do adversário pela Prefeitura de São Paulo: “Quero perguntar para Ricardo Nunes qual legado ele pegou”. Haddad, por sua vez, acusou o governador de descumprir promessas feitas em 2022.

Caso Milton Leite

O petista cobrou explicações sobre o apoio de Tarcísio aos filhos do ex-vereador, preso em 18 de setembro em operação que apura suspeita de envolvimento do PCC com o transporte coletivo. “É uma espécie de prefeito sombra. Ninguém te informou que você não devia subir no palanque pra pedir voto pra uma pessoa que 15 dias depois seria presa?”, provocou Haddad. O governador respondeu: “A família Leite não tem nada no governo de São Paulo”.

Educação, transporte e reforma tributária

Na educação, Haddad afirmou que o programa de alfabetização na idade certa não funciona no estado. Tarcísio rebateu citando o reconhecimento do MEC: “Se [a alfabetização em São Paulo] não está funcionando, por que fomos selo ouro do MEC da alfabetização?”. Sobre transportes, o petista criticou as privatizações: “Você entregou a CPTM pra gente que não entende de trem, que está explodindo trem”.

A reforma tributária também rendeu troca de acusações. “Vocês querem o Milei aqui, né? Vocês forneciam o osso e agora querem carne de burro em São Paulo?”, disse Haddad. Tarcísio defendeu o presidente argentino: “Milei pegou uma situação muito complexa e está indo bem”.

Frases marcantes

“Haddad, você está mal informado”, disparou Tarcísio após o adversário afirmar que a Polícia Civil paulista é uma das mais mal pagas do país.

“Você tem ideia do estoque de procedimentos represados por causa da pior gestão do mundo de uma pandemia?”, questionou Haddad sobre o governo Bolsonaro.

“Vocês dilaceraram a Petrobras, venderam a BR Distribuidora e o gás. E vem cobrar ajuste?”, rebateu o petista ao ser cobrado sobre ajuste fiscal e dívidas de empresas.

“Haddad, você me lembra aquele personagem de desenho animado […] quando o boneco mentia, o nariz crescia”, afirmou o governador, em resposta à fala sobre o fim de atendimento especializado para crianças atípicas.

“Você vai manter essa caixa-preta no segundo mandato?”, perguntou Haddad sobre os benefícios fiscais concedidos pelo governo paulista.

“Tenho medo de vocês dizerem que fizeram o farol de Salvador, o Cristo Redentor, porque tudo é o governo federal”, ironizou Tarcísio, depois de Haddad defender a gestão Marta Suplicy na Prefeitura e a integração do Bilhete Único na região metropolitana.

Cenário da disputa

Segundo pesquisa Datafolha divulgada em 24 de setembro, Tarcísio aparece com 50% das intenções de voto, contra 30% de Haddad — cenário que pode dar a reeleição ao governador ainda no primeiro turno.