O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou, nesta quarta-feira (21.out.2026), um vídeo em que comenta a batalha judicial envolvendo uma mansão avaliada em R$ 10 milhões na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ).
O imóvel era da empresa do atacante Richarlison, do Tottenham Hotspur, e do ex-empresário do jogador, Renato Velasco, mas acabou em posse do advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
“Onde foi feito o trambique que tiraram do Pai do Bebê [Richarlison] uma ilha que ele tinha pagado 10 milhões de reais? […] Esse rapaz comprou a ilha por 10 milhões e, de repente, viu a ilha dele desaparecer com o advogado Willer Tomaz, do Flávio Bolsonaro. Ele e o Flávio Bolsonaro foram na ilha desse rapaz, filmaram a ilha com um drone e deram entrada no SPU do Rio de Janeiro. […] E em apenas uma semana, esse Willer Tomaz, possivelmente com a ajuda do Flávio, conseguiu tomar a ilha do Richarlison. Tô pedindo pra Polícia Federal investigar para saber onde é que foi feito o trambique que tiraram do Pai do Bebê uma ilha que ele tinha pagado 10 milhões de reais. Nós estamos investigando. Quando ficar certo, meu querido, nós vamos dizer a verdade para você”, declarou o presidente.
Entenda o caso
A disputa começou durante a pandemia de covid-19, entre 2020 e 2021, quando Richarlison comprou o imóvel em sociedade com Renato Velasco e com Alencar da Silveira Júnior, presidente do América-MG. Segundo o jogador, que aplicou cerca de R$ 10 milhões no local, Flávio Bolsonaro chegou a visitar a mansão e fez propostas de compra, todas recusadas. Em janeiro de 2021, o senador voltou ao local, agora acompanhado de Willer Tomaz.
O ponto de virada aconteceu em maio de 2022, quando a esposa do empresário do atleta foi retirada da casa por um oficial de Justiça. A reintegração de posse atendeu a pedido da M Locadora, representada pelo ex-ministro Eugênio Aragão, que afirmava deter o registro imobiliário desde 1986. Na mesma época, Willer Tomaz usou sua empresa, a WT Administração, para pagar R$ 2 milhões em débitos fiscais da M Locadora por meio de contrato de sub-rogação.
Com a posse garantida na Justiça, Tomaz regularizou a área na Secretaria do Patrimônio da União e passou o terreno para sua empresa. Ele afirma ter desembolsado R$ 5 milhões na operação e chama os antigos ocupantes de “invasores”.
Para tentar reverter a situação, os advogados de Richarlison pediram que Flávio Bolsonaro fosse incluído como testemunha, com o objetivo de demonstrar que o imóvel não estava abandonado quando o senador o visitou. O Superior Tribunal de Justiça, porém, manteve a posse com a empresa de Tomaz em 2025.
O senador nega qualquer vínculo com o imóvel ou com o processo judicial e destaca que figura apenas como testemunha. O caso voltou a ganhar repercussão nas redes sociais em outubro de 2026, após Richarlison perguntar “e a minha ilha?” em um comentário em publicação de Flávio no Instagram.
Depois, o atleta publicou um vídeo pedindo que a Polícia Federal investigasse o episódio, afirmando que a Justiça falhou. Ele também disse que o senador e o advogado ficaram com o imóvel “na mão grande”, sem pagar pela compra. Richarlison prometeu doar parte do valor recuperado ao hospital de sua cidade natal, Nova Venécia (ES).
O Poder360 procurou o advogado Willer Tomaz e a assessoria de Flávio Bolsonaro para comentar a fala de Lula, mas não recebeu resposta até a publicação. A reportagem será atualizada caso haja manifestação.
