Deputados do governo e da oposição se envolveram em uma briga nesta quinta-feira, 22, durante uma sessão do Parlamento da Albânia. O confronto, com tapas e empurrões, começou quando parlamentares da oposição criticaram a repressão violenta contra manifestantes após mais de uma semana de protestos na capital, Tirana.
Há dias, estudantes ocupam as ruas da capital para pedir mais investimentos na educação e retomar reivindicações antigas, sustentadas por meses, de renúncia do primeiro-ministro Edi Rama.
Revolution dos flamingos
Inspirados pelo movimento estudantil que tomou a França há mais de um mês, os jovens albaneses reforçaram a chamada “revolução dos flamingos”, que protesta contra empreendimentos imobiliários de luxo considerados prejudiciais à economia e à fauna locais. Alguns desses projetos têm ligação com Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Os manifestantes têm confrontado a polícia com frequência e atacado sedes do governo. No último final de semana, radicais do movimento lançaram coquetéis molotov e incendiaram as sedes do Tribunal de Apelações e do Ministério da Educação.
A polícia respondeu com gás lacrimogêneo e jatos d’água, enquanto os manifestantes atiravam pedras contra as forças de segurança e queimavam contêineres de lixo para bloquear vias da cidade. Os distúrbios deixaram mais de 300 feridos, entre eles agentes de segurança, e resultaram em dezenas de prisões.
Confusão no plenário
Durante uma votação nesta quinta, deputados da oposição se posicionaram diante da tribuna da presidência da Câmara e pediram a suspensão da sessão por causa da agitação no país. Os parlamentares exibiram fotos de um manifestante que, segundo eles, teria sido ferido pela polícia.
Os oposicionistas ainda jogaram água e documentos em direção à presidência do Parlamento, o que provocou empurrões e confrontos físicos entre os deputados.
Cenas de tensão são comuns no Parlamento albanês. Incidentes parecidos já ocorreram em outras ocasiões — em pelo menos duas delas, sinalizadores foram acesos dentro do plenário.
Rama culpa “guerra híbrida”
No início da semana, o premiê Edi Rama, no poder há 13 anos, se reuniu com diretores de escolas de ensino médio e atribuiu os distúrbios a uma “guerra híbrida”, repetindo acusações de interferência estrangeira por trás dos protestos.
Em nota divulgada por seu gabinete, o governo afirmou que as supostas forças estrangeiras infiltradas nos protestos teriam como objetivo frear “o progresso” do país e “bloquear o processo de negociação” para a adesão da Albânia à União Europeia.