A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estatal responsável por estudos que apoiam o planejamento do setor energético no Brasil, apontou três áreas com destaque para a produção de energia eólica no mar, a chamada geração offshore. O levantamento dividiu o litoral do país em 20 regiões com características parecidas de vento, com o propósito de ampliar o conhecimento sobre as condições de geração e oferecer subsídios ao planejamento energético nacional.

O que são os hotspots

A energia eólica offshore é gerada por turbinas instaladas no mar, onde as condições de vento podem favorecer a produção de eletricidade. As três áreas apontadas pela EPE foram classificadas como hotspots — expressão utilizada para designar locais de destaque em determinado aspecto. No caso do estudo, o critério adotado foram as maiores velocidades médias de vento registradas.

A identificação, porém, não significa que essas áreas estejam autorizadas ou prontas para receber parques eólicos. A velocidade dos ventos é um dos elementos que interferem na geração de eletricidade, mas a instalação de empreendimentos também depende de condições ambientais, infraestrutura disponível, efeitos sobre outras atividades marítimas e viabilidade econômica.

Metodologia para escolher as áreas

Para orientar a definição dos locais destinados a futuros projetos, a EPE criou uma metodologia que reúne critérios técnicos, ambientais, sociais e econômicos. O objetivo é apoiar o poder concedente, responsável por decidir sobre a oferta das áreas marítimas, na seleção dos trechos que poderão abrigar empreendimentos de geração offshore.

O procedimento está ligado à Lei nº 15.097/2025, que define as regras para o aproveitamento do potencial energético offshore no Brasil. A versão final do documento foi divulgada em julho de 2026, depois de uma consulta pública conduzida pelo Ministério de Minas e Energia (MME), órgão que formula e coordena as políticas públicas do setor. De acordo com a EPE, a Consulta Pública nº 191/2025 recebeu cerca de 400 contribuições de 41 instituições, que contribuíram para o aprimoramento da proposta.

Como o estudo foi feito

Os pesquisadores compararam três bases públicas de dados — ERA5, MERRA-2 e Global Wind Atlas — para escolher a fonte considerada mais adequada à avaliação dos ventos na costa brasileira. Com o tratamento de séries históricas e a identificação de padrões parecidos, a equipe agrupou os trechos do litoral em 20 regiões, considerando as variações diárias e sazonais dos ventos.

A escolha dos pontos para futuros parques também deve levar em conta as atividades que já acontecem no mar. Pesca, navegação e turismo, por exemplo, dividem o espaço marítimo com os possíveis empreendimentos de geração. Áreas de conservação ambiental e possíveis impactos sobre ecossistemas e comunidades também precisam ser avaliadas.

A metodologia da EPE procura incorporar esses aspectos desde as etapas iniciais do planejamento, contribuindo para identificar restrições e diminuir incertezas antes da definição dos projetos. O procedimento, no entanto, não substitui o licenciamento ambiental — processo em que os órgãos competentes analisam os impactos de um empreendimento e definem as condições para sua instalação e operação — nem dispensa estudos específicos para cada projeto.

Desafios além da escolha dos locais

Além da seleção das áreas, a expansão da energia eólica offshore exige investimentos em linhas de transmissão, que levam a eletricidade gerada até os centros de consumo, além do desenvolvimento de fornecedores, da capacitação de profissionais e de avanços na regulamentação. Esses elementos serão decisivos para definir a viabilidade dos projetos e a contribuição que a fonte poderá oferecer à matriz elétrica brasileira.