As prateleiras de tecidos e máquinas de costura ainda estavam montadas, mas o que se via nas lojas da Hancock Fabrics em 2016 era um grande esvaziamento de estoque. A companhia, fundada em 1957, chegou àquele ano sem condições de sustentar sua operação e iniciou o processo de liquidação das 185 unidades que ainda mantinha nos Estados Unidos, encerrando uma trajetória de 59 anos no varejo especializado.

Uma nova crise após a recuperação judicial

Não era a primeira vez que a rede enfrentava dificuldades. Em 2007, a Hancock Fabrics já havia passado por um processo de recuperação judicial e conseguido continuar operando. Anos mais tarde, porém, os problemas financeiros voltaram a pressionar a empresa, especializada em tecidos para roupas, decoração, artesanato e materiais de costura.

No dia 2 de fevereiro de 2016, a companhia recorreu novamente ao Chapter 11, mecanismo americano de proteção judicial. O plano inicial previa o fechamento dos pontos considerados menos rentáveis, enquanto a empresa buscava um comprador interessado em manter o restante da operação em funcionamento.

Por que todas as lojas entraram na liquidação?

O planejamento original separava cerca de 70 lojas destinadas ao encerramento e mantinha uma operação remanescente que poderia ser vendida em funcionamento — desde que surgisse um interessado com capacidade de sustentar o negócio. O desfecho, porém, foi diferente.

Na disputa pelos ativos, a oferta vencedora não veio de um grupo disposto a operar as lojas, mas de uma empresa especializada em liquidações. Com isso, as vendas de encerramento foram estendidas a todas as 185 unidades ainda existentes.

Quem venceu o leilão dos ativos

A Great American Group foi declarada vencedora do leilão realizado em 29 de março de 2016. A decisão foi aprovada pela Justiça em 31 de março, autorizando a empresa a conduzir a venda de mercadorias e de determinados equipamentos.

O acordo previa a conversão dos estoques em recursos financeiros, dentro das regras do processo de recuperação. Segundo relatos da época, a oferta foi associada a um valor de aproximadamente US$ 65 milhões — sem que isso representasse a compra de uma rede preservada para continuar operando normalmente.

Os principais marcos da trajetória

1957: fundação da rede na cidade de Tupelo, no Mississippi.
2 de fevereiro de 2016: novo pedido de proteção judicial.
Março: leilão vencido por empresa especializada em liquidações.
1º de abril: início das vendas finais nas 185 lojas.

Como era o modelo de negócio da rede

As lojas reuniam tecidos para vestuário, decoração e trabalhos artesanais, além de linhas, agulhas, acessórios e máquinas de costura. O formato era especializado: o consumidor encontrava, em um único local, tudo o que precisava para confecção, sem precisar recorrer a diferentes estabelecimentos.

Durante a liquidação, porém, a variedade de itens passou a representar apenas um estoque a ser esgotado, sem reposição. A venda de móveis de exposição e equipamentos também integrou a retirada progressiva da estrutura física das lojas.

Da proteção judicial ao encerramento definitivo

O pedido judicial, o leilão e o início das promoções de encerramento foram etapas distintas, cada uma representando uma decisão diferente sobre o futuro da companhia e o destino de seus ativos. A gestão das vendas ficou a cargo da vencedora do leilão, e os descontos praticados na época faziam parte do processo de liquidação — não de uma estratégia para recuperar a Hancock Fabrics.

O anúncio das vendas finais confirmou que a liquidação começaria em 1º de abril de 2016, alcançando todos os 185 estabelecimentos em funcionamento, além de determinados bens usados nas lojas. A trajetória iniciada em 1957 chegava ao fim para aquela rede física depois de duas passagens pela proteção judicial. Vale lembrar que as 185 unidades correspondiam à operação remanescente, e não ao total de lojas que a empresa possuía antes dos primeiros cortes.