Debate ao governo do Rio é marcado por alianças
As ligações com o presidente Lula (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-governador Cláudio Castro (PL) dominaram o confronto entre os postulantes ao Governo do Rio de Janeiro no debate promovido pela TV Globo nesta terça-feira (29).
O ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) foi pressionado por não divulgar o apoio do petista. Já o presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Douglas Ruas (PL), mencionou Flávio Bolsonaro repetidas vezes na tentativa de se aproximar do eleitorado bolsonarista — e, ao mesmo tempo, foi questionado pela proximidade com Castro. Também participaram William Siri (PSOL), André Marinho (Novo) e Anthony Garotinho (Republicanos).
Estratégias de campanha
Os discursos refletiram as táticas adotadas desde agosto, início da campanha. Enquanto Paes busca associar Ruas ao desgastado Castro, o candidato do PL se apresenta como representante de Flávio no estado, onde a maioria do eleitorado pretende votar no senador.
Ao questionar Paes sobre transporte e promessas antigas de conclusão da linha 3 do metrô, que ligaria São Gonçalo ao centro do Rio, Ruas citou duas vezes Flávio Bolsonaro em sua primeira fala.
“Sei que ele [Paes] não gosta do Flávio Bolsonaro, mas nessas horas é preciso deixar a política de lado para pensar nas pessoas”, disse o candidato do PL.
Na resposta, o ex-prefeito classificou Ruas como o “reserva do Rodrigo Bacellar”, em alusão ao ex-presidente da Alerj preso sob acusação de vazar informações de uma operação policial que mirava outro membro da Assembleia ligado ao Comando Vermelho. Paes também procurou conectar o adversário a Castro.
“Acabou de falar o secretário das Cidades do Cláudio Castro, que é o reserva do Rodrigo Bacellar. Substituiu o Rodrigo Bacellar na presidência da Alerj e também na candidatura do governo do estado porque foi preso por ligação com o Comando Vermelho”, afirmou o candidato do PSD.
Defesa de Flávio e cobrança sobre Lula
Ruas ainda defendeu o senador das críticas de Siri, que chamou Flávio de “miliciano bandido que quer ser presidente do nosso país”. “Você é jovem, não entra nessa. Não se iguale ao Eduardo Paes e à velha política”, retrucou o presidente da Alerj.
Diante do candidato do PSOL, que declarou orgulho do apoio a Lula, Ruas cobrou Paes por esconder a aliança com o petista. “Que bom que você assume o Lula. Mas tem gente que recebe o Lula e nem posta na rede social. O Eduardo Paes tem o Lula e cisma em esconder”, disse.
Paes reafirmou que não pretende terceirizar a responsabilidade sobre seu eventual governo e evocou o passado recente. Segundo ele, desde 2018 candidatos se apresentam como representantes do bolsonarismo no estado. “O candidato Wilson Witzel se apresentava como o cara do Bolsonaro e renovação da política. Deu no que deu. O Cláudio Castro, a mesma coisa”, questionou o ex-prefeito.
Ataques entre os demais postulantes
Marinho criticou as mudanças de posicionamento de Paes e lembrou os acenos do ex-prefeito ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na disputa de 2018, quando enfrentou Witzel pelo governo estadual. “Lembro que ligou gaguejante suplicando pelo apoio de Jair Bolsonaro prestes a tomar a surra que acabou tomando”, disse o candidato do Novo.
Garotinho atacou os dois principais adversários. Classificou a Alerj, presidida por Ruas, como “superintendência do crime organizado” e “a maior quadrilha do Rio de Janeiro”. Contra Paes, mencionou aliados citados na lista apreendida com o bicheiro Adilson Coutinho Oliveira Filho, conhecido como Adilsinho. O ex-governador, por sua vez, foi tratado por Marinho como “fiscal retroativo do estado” e “Léo Dias da política”.
