A pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (22) mostrou empate técnico na disputa presidencial a três dias do segundo turno, com Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) com 50% dos votos válidos cada. Nos votos totais, o senador aparece à frente com 47%, contra 46% do presidente. Brancos e nulos somam 5%, e indecisos, 2%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Reações das campanhas

O levantamento, realizado entre terça (20) e quinta (22), provocou leituras distintas nos dois campos. Na campanha petista, integrantes avaliam que há uma onda pró-Lula nos últimos dias. Para eles, o presidente pode vencer se passar pelo debate da TV Globo, nesta sexta (23), sem grandes desgastes.

O ministro José Guimarães (Relações Institucionais) afirmou que todos os dados são bons e que “o clima é de virada”. Ele destacou a alta na rejeição a Flávio, que passou de 44% para 46%. A rejeição a Lula caiu de 46% para 45%.

O vice-presidente do PT, Jilmar Tatto, relacionou a melhora na avaliação de governo com a queda de Flávio em votos válidos — ele tinha 51% na semana passada. Tatto citou os atos de rua pró-Lula e a mobilização digital como fatores do empate. “A gente está ganhando nas redes, que era onde eles sempre ganhavam”, declarou.

Sergio Gabrielli, coordenador do programa de governo de Lula, afirmou que a percepção do risco que representaria a eleição de Flávio pesa mais que a avaliação da gestão. Segundo ele, eleitores indecisos começam a se posicionar contra o candidato do PL.

Confiança no bolsonarismo

Do lado de Flávio, a campanha mantém a confiança na vitória. Auxiliares do senador argumentam que o cenário não é negativo, já que ele segue numericamente à frente nos votos totais. Também afirmam que as pesquisas não captam o chamado voto de chegada da direita, o antipetismo que historicamente impulsiona o bolsonarismo na véspera da votação.

Estrategistas citam ainda a mobilização de rua em capitais, sobretudo no Nordeste, com bloquinhos liderados pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), e um discurso que dialoga com o eleitor de centro. Aliados celebram a resiliência de Flávio diante do que classificam como campanha de fake news do PT, com alertas de cortes de benefícios sociais.

Partidos de centro

Presidentes de dois partidos de centro, sob reserva, avaliaram que o empate é insuficiente para Lula. Eles reconhecem o novo fôlego digital do petista, mas calculam que ele precisa chegar ao domingo com ao menos três pontos de vantagem, já que esperam novo impulso bolsonarista na chegada. Um deles diz que só um fato novo poderia abalar o favoritismo de Flávio; outro aponta que o debate da Globo e a crise dos sigilos bancários serão decisivos.

Já Carlos Lupi, presidente do PDT e aliado de Lula, discorda da tese do voto de chegada. “A presença maciça de jovens nas ruas e o empate nas pesquisas mostram uma reversão da vantagem que Bolsonaro tinha. Isto é fato, e a tendência é uma vitória de Lula de forma irreversível”, disse. Na mesma linha, o líder do Republicanos na Câmara, Augusto Coutinho (PE), afirmou que “o jogo está embolado” e lembrou a virada de Dilma Rousseff sobre Aécio Neves em 2014, que ocorreu na chegada da eleição.