O debate da Band, realizado neste domingo (18) com a presença dos candidatos Lula e Flávio Bolsonaro, reservou pouco espaço para propostas concretas. Segundo pesquisas qualitativas realizadas com grupos de eleitores, o que predominou no encontro, que marcou a reta final do 2º turno das eleições, foram as chamadas campanhas de desconstrução.

Estratégia de ataque

De acordo com os levantamentos, o objetivo central dos candidatos no palco foi aumentar a rejeição do adversário junto ao eleitorado. A tática, porém, produz um efeito colateral indesejado: o desencantamento do público com o processo eleitoral como um todo.

O resultado foi um debate distante do formato propositivo que se esperava para o segundo turno. Em vez de apresentações detalhadas de planos de governo, o que se viu foi uma sequência de acusações mútuas entre os dois presidenciáveis.

Expectativa frustrada

Até pouco tempo antes do confronto, havia a expectativa de que o segundo turno fosse pautado de forma diferente, com discussões mais aprofundadas sobre soluções para o futuro do país. No entanto, diante de uma disputa extremamente acirrada e de um cenário de indefinição nas intenções de voto, as estratégias das campanhas mudaram de rumo.

A avaliação dos pesquisadores é clara: quem saiu perdendo com esse formato foi o eleitor. O prejuízo é considerado ainda maior para dois grupos específicos — aqueles que ainda não decidiram em quem votar e os que simplesmente não compareceram às urnas no primeiro turno.

Temas evitados

Assuntos considerados essenciais para o país ficaram de fora do aprofundamento que mereciam. Um dos exemplos citados é o ajuste fiscal, tema que não foi destrinchado pelos candidatos durante o debate.

Os pesquisas qualitativas apontam ainda que os dois postulantes evitaram tratar de temas necessários, mas reconhecidamente impopulares junto ao eleitorado — uma postura que, segundo os levantamentos, contribui para a sensação de vazio programático do confronto.

Com o debate encerrado e o 2º turno se aproximando, resta saber se as campanhas irão reverter o quadro de desconstrução e passar a apresentar propostas concretas, ou se a lógica do ataque prevalecerá até o dia da votação.