O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), vai integrar os treinos do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) de cara com o debate contra Lula (PT), marcado pela TV Globo para a sexta-feira (23), apenas dois dias antes do segundo turno, no domingo (25).
Tarcísio embarca para Brasília nesta quinta-feira (22), dia em que o senador reservará a agenda para a preparação, além de fazer sua live semanal. O ensaio será conduzido por Duda Lima, marqueteiro da campanha, que fez o convite ao governador para participar.
Estratégia de bastidores
Com a presença de Tarcísio nos bastidores, o objetivo da equipe é reduzir o peso de Pablo Marçal sobre Flávio e conduzir o candidato a um debate mais propositivo e menos agressivo do que o realizado pela Band no domingo (18).
Na sexta, o governador também deve acompanhar Flávio no deslocamento de Brasília ao Rio de Janeiro, onde acompanhará o embate nos estúdios da Globo.
O candidato do PL não terá compromissos públicos nesta quinta. Além do foco no debate, é o aniversário da esposa do senador, Fernanda Bolsonaro, motivo pelo qual ele fechou a agenda na capital federal. Pela manhã, Flávio deve visitar o pai, Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.
Alerta sobre Marçal
Tarcísio já havia alertado Flávio pessoalmente sobre a atuação de Marçal na campanha, que considera negativa. No jantar que tiveram em Brasília logo após o primeiro turno, o governador afirmou que o influenciador é rejeitado pelo eleitorado paulista depois dos escândalos da eleição municipal de 2024 — das provocações em debates à cadeirada.
Reeleito em primeiro turno, Tarcísio é visto por aliados de Flávio como um político mais sereno e técnico, capaz de orientar o senador a memorizar melhor números e propostas. A meta é dar mais conteúdo às intervenções do presidenciável no palco.
Como já foi revelado, a própria campanha reconheceu que, apesar de avaliar que Flávio superou Lula no debate da Band, é preciso intensificar os ensaios. Antes do programa, o candidato participou de um ato na avenida Paulista, o que reduziu o tempo de preparação a poucas horas. Para o próximo confronto, o plano é reservar dois dias de treinos, na quinta e na sexta.
Integrantes da equipe admitem que, na Band, Flávio desperdiçou chances de ataque contra o petista e soou repetitivo por não dominar seu próprio repertório. O debate, segundo eles, foi pouco propositivo e não converteu indecisos — falha atribuída ao formato de confronto direto.
Rusgas internas
Temendo que o estilo belicoso de Marçal eleve a rejeição a Flávio, a campanha pretende induzir o candidato a moderar o tom no próximo debate, sem abrir mão de pressionar Lula.
A presença do influenciador provoca desavenças internas, em parte herdadas da disputa municipal de 2024, quando Tarcísio apoiou o prefeito Ricardo Nunes (MDB) contra Marçal. Duda Lima trabalhava na campanha do emedebista naquele pleito e chegou a ser agredido em um debate por um integrante da equipe do influenciador.
No domingo, antes do debate da Band, Duda Lima conduziu o treino com Flávio, mas, ao se ausentar, o candidato recebeu Marçal por cerca de meia hora. Integrantes da equipe atribuíram a atuação mais combativa do primeiro bloco a conselhos do influenciador, que passou o embate gesticulando e orientando o presidenciável da plateia.
Nunes, um dos principais cabos eleitorais de Flávio, decidiu não ir ao debate da Band porque Marçal estaria presente como convidado. Horas antes, no ato na Paulista, o prefeito desceu do carro de som justamente quando o influenciador subiu.
O grupo de apoiadores ligado a Tarcísio e Nunes, responsável pelos eventos de Flávio em São Paulo, considera prejudicial que o empresário seja tratado como possível ministro e até fale no lugar do candidato. Eles reconhecem, porém, que Marçal tem papel relevante de mobilização nas redes. Integrantes da cúpula do centrão afirmam ter identificado entre os eleitores uma resistência maior a Flávio pelo protagonismo do influenciador na reta final.
