Em artigo publicado em 11 de outubro, o cineasta, escritor e fotógrafo Josias Teófilo, diretor do documentário “O Jardim das Aflições”, sobre Olavo de Carvalho, sustenta que Lula integra um projeto de poder cujo objetivo é calar uma parcela da sociedade.
Segundo o autor, no segundo turno de 2022 Lula obteve 2.139.645 votos a mais que Jair Bolsonaro —vantagem de menos de dois por cento que, na avaliação dele, foi conquistada em parte por meio de censura.
Censura eleitoral
Teófilo afirma que o Tribunal Superior Eleitoral atuou de forma intensa na remoção de conteúdos que associavam Lula a casos de corrupção como o mensalão e o petrolão. Naquele ano, uma série de materiais da Jovem Pan foi retirada do ar por ordem do tribunal, considerados ofensivos ou falsos, “mesmo quando não eram falsos”, escreve.
O colunista lembra ainda o fechamento do jornal Terça Livre, cujo dono, Allan dos Santos, deixou o Brasil sob ameaça de prisão. Durante a campanha, o TSE determinou a remoção de publicações de apoiadores de Bolsonaro, sobretudo as que ligavam Lula ao crime organizado e afirmavam que ele apoia o aborto legalizado —o que, segundo o autor, está amparado por declarações do próprio presidente.
Para o articulista, houve um aparato robusto e ágil de remoção de conteúdo, suspensão de contas e pressão sobre plataformas, centrado no TSE sob Alexandre de Moraes, com impacto desproporcional sobre perfis críticos de Lula e do sistema eleitoral. Ele chama de inédita a “censura temática”: o documentário da Brasil Paralelo sobre a facada teria sido censurado sem ser visto, apenas por tratar da tentativa de assassinato contra Bolsonaro.
Governo e escândalos
Na avaliação de Teófilo, uma vitória apertada em contexto tão controverso deveria ter levado Lula à prudência, mas o governo fez o oposto do prometido: em vez de frente ampla, foi composto por “radicais identitários”, como Margareth Menezes (Cultura) e Anielle Franco (Igualdade Racial).
O autor cita declaração de Anielle, em novembro de 2023, de que expressões como “buraco negro” e “denegrir” teriam conotação racista e deveriam ser evitadas como parte do “letramento racial”. Menciona também Silvio Almeida, ex-ministro dos Direitos Humanos e defensor do racismo estrutural, que caiu após ser acusado de importunação sexual por Anielle e outras mulheres.
Segundo o colunista, o identitarismo é impopular e foi decisivo nas derrotas de Kamala Harris, nos Estados Unidos, e de Guilherme Boulos, em São Paulo, enquanto a população se preocupa com insegurança, corrupção e perda do poder de compra.
O artigo enumera ainda escândalos de corrupção. O Banco Master, descrito como a maior fraude bancária do país, teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, com a prisão de Vorcaro. O então líder do PT no Senado, Jaques Wagner, foi alvo de buscas da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, quando foram apreendidos dólares e euros em espécie. As suspeitas incluem atuação em favor do banco, uma emenda para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões, repasses a familiares, viagens em jatinho e ingressos — Wagner nega.
Teófilo aponta investigações contra Lulinha, filho mais velho do presidente, alvo de quebra de sigilos na CPMI do INSS por suspeitas de tráfico de influência ligadas ao esquema de descontos indevidos em aposentadorias, que soma bilhões. O principal operador apontado pela PF, o chamado Careca do INSS, teria Lulinha como sócio oculto, por intermédio da lobista Roberta Luchsinger. Mensagens obtidas pela PF indicam que o Careca teria pago R$ 300 mil à empresa dela.
O articulista afirma que vota em Flávio Bolsonaro por acreditar que um governo dele apresente respostas concretas à corrupção, e classifica a decisão como uma escolha sobre os princípios que devem orientar o futuro do Brasil.
