Dom Mário Antônio da Silva, arcebispo de Aparecida (SP), criticou a disseminação de armamentos e as guerras durante a missa solene do Dia de Nossa Senhora Aparecida, celebrada nesta segunda-feira. A data é uma das mais importantes do calendário católico brasileiro, dedicada à padroeira do Brasil.

Na celebração, o prelado pregou a chamada “paz desarmada” como eixo central de sua mensagem. O pronunciamento ocorre em meio à campanha armamentista defendida por setores da extrema direita, pauta associada à ampliação do acesso da população a armas de fogo.

Crítica ao armamento e às guerras

Ao longo da homilia, dom Mário Antônio condenou a proliferação de armamentos e os conflitos armados em diferentes partes do mundo. A defesa da “paz desarmada” foi apresentada em contraposição à lógica de que mais armas trariam mais segurança. A expressão remete à ideia de que a convivência pacífica entre as pessoas e os povos não se sustenta pelo aumento do poder de fogo, mas pelo diálogo e pela disposição ao encontro.

O recado ganhou peso simbólico por ser proferido em uma das principais celebrações católicas do país, marcada por grande mobilização de fiéis. Responsável pela arquidiocese que abriga o Santuário Nacional de Aparecida, o arcebispo utilizou o espaço de fala da celebração para colocar a paz como prioridade em um cenário de tensões.

Celebração da padroeira

O Dia de Nossa Senhora Aparecida é comemorado em 12 de outubro e figura entre os momentos de maior afluência de romeiros ao Santuário Nacional, no interior de São Paulo. Na data, fiéis de diversas regiões do país costumam participar das celebrações em honra à padroeira.

A missa solene desta segunda-feira integrou o programa de festejos e se destacou pelo conteúdo da homilia. A mensagem do arcebispo se soma ao debate nacional sobre o acesso a armas, que se intensificou nos últimos anos com a defesa, por parte de setores da extrema direita, da flexibilização das regras de porte e posse de armas de fogo.

Ao condenar a disseminação de armamentos e as guerras, dom Mário Antônio reafirmou o apelo pela paz em um dos púlpitos mais visíveis da Igreja Católica no Brasil. A celebração da padroeira, que tradicionalmente reúne fiéis de todo o país, serviu mais uma vez de palco para um pronunciamento com repercussão além dos muros do santuário.