Quase 90 anos depois do desaparecimento da aviadora Amelia Earhart no oceano Pacífico, uma nova expedição tenta esclarecer um dos enigmas mais duradouros da aviação mundial.
Pesquisadores examinam um objeto submerso nas proximidades da ilha de Nikumaroro, em Kiribati, que pode ser a aeronave perdida em 1937 — ou simplesmente uma árvore arrancada por uma tempestade. A resposta pode alterar o curso de uma busca que se estende por gerações.
Objeto chamou atenção em imagens de satélite
Conhecido como Taraia Object, o elemento ganhou destaque após surgir em imagens de satélite e fotografias aéreas. O formato levantou a suspeita de que os destroços pertençam ao Lockheed Electra 10E, modelo usado por Earhart na tentativa de dar a volta ao mundo.
A missão atual reúne 17 integrantes e recebe apoio da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, instituição onde a aviadora atuou como professora. O objetivo é examinar a estrutura submersa e determinar sua origem.
Desaparecimento ocorreu em 1937
Amelia Earhart e o navegador Fred Noonan desapareceram em 2 de julho de 1937, durante um voo entre Lae, na Nova Guiné, e a ilha de Howland, no Pacífico. Os dois tentavam concluir uma viagem ao redor do planeta quando perderam contato com as equipes em terra.
A linha de investigação em curso considera que a dupla pode ter saído da rota planejada e chegado a Nikumaroro. Indícios históricos sustentam a possibilidade, mas não há comprovação definitiva de que a ilha tenha sido o destino final da aeronave.
Pistas acumuladas ao longo das décadas
Diversas expedições buscaram sinais da aviadora e de seu avião desde então. Entre os elementos que mantêm viva a investigação estão o objeto submerso identificado em imagens da região, possíveis vestígios de acampamento na ilha, artefatos antigos encontrados em buscas anteriores e registros de rádio captados após o desaparecimento.
Nenhuma dessas evidências, de forma isolada, confirma o que aconteceu com os dois aviadores. Os vestígios de acampamento levantam hipóteses sobre náufragos, mas não provam que fossem Earhart e Noonan. Já os artefatos foram tratados como pistas possíveis, sem estabelecer ligação definitiva com a aviadora, e as transmissões de rádio ajudam a avaliar cenários de localização, sem encerrar o caso.
Especialistas consideram hipótese da árvore
A principal dúvida está na aparência do próprio objeto. Pesquisadores ligados ao grupo TIGHAR, que estuda o desaparecimento há décadas, avaliam que o formato observado pode corresponder a uma árvore de pandanus arrancada e arrastada pela água, e não a um avião.
O grupo destaca ainda que buscas anteriores na área, realizadas em 2001 e 2007, não encontraram evidências que confirmassem a presença de destroços. Para os pesquisadores, a semelhança visual não é suficiente para identificar o objeto como a aeronave perdida.
Próximos passos da investigação
A equipe pretende analisar o objeto diretamente e buscar características que permitam distinguir destroços metálicos de uma formação natural. A identificação de materiais, estruturas e possíveis componentes da aeronave será decisiva para avaliar a hipótese.
Até que surjam evidências verificáveis, o destino de Amelia Earhart e de Fred Noonan permanece em aberto — um dos capítulos mais enigmáticos da história da aviação.
