O assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assuntos internacionais, Celso Amorim, afirmou que o chamado “Escudo das Américas”, iniciativa lançada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, busca impor um “cerco” ao Brasil e estabelecer uma “dominação absoluta” sobre o país. Segundo ele, a justificativa usada para a coalizão — o combate ao crime organizado — é um argumento “falso”.

Em entrevista ao canal Tutaméia, no YouTube, Amorim criticou a forma como a questão da criminalidade é tratada pelo grupo. “Agora, sim, nós sofremos ameaça. Veja bem, essa questão do Escudo das Américas põe o Brasil em cerco, cercado com base em argumento falso, que é tratar a questão do crime organizado como se fosse terrorismo internacional. Na realidade, é um esquema de dominação absoluta”, declarou o assessor.

Quem faz parte da coalizão

A coalizão reúne presidentes de países latino-americanos mais alinhados ao governo Trump. Entre os participantes estão Javier Milei, da Argentina; Abelardo de la Espriella, da Colômbia; e Nayib Bukele, de El Salvador.

No mês passado, atendendo a um pedido do governo dos Estados Unidos, o grupo assinou um acordo para designar formalmente facções criminosas como “ameaças compartilhadas” e transformá-las em alvos de sanções.

Facções brasileiras na lista

O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), duas das maiores facções criminosas do Brasil, figuram entre os 24 grupos citados como alvos da proposta apresentada pela coalizão.

As declarações de Amorim reforçam a posição crítica do governo brasileiro diante da iniciativa, que o assessor interpreta não como uma ação legítima de segurança regional, mas como um mecanismo de pressão sobre países que não se alinham às diretrizes de Washington.

O “Escudo das Américas” passa, assim, a figurar entre os pontos de tensão nas relações entre o Brasil e os Estados Unidos no atual cenário político internacional.