Movimento antibets domina campanhas estaduais

Candidatos ao governo nos estados alternam entre aderir ao movimento contrário às casas de apostas online e criticar o momento escolhido pelo presidente Lula (PT) para tratar do assunto. Na sexta-feira (25), a uma semana do primeiro turno das eleições, o petista assinou uma medida provisória que tornou ilegais as apostas virtuais no país.

Rio de Janeiro

No Rio, Eduardo Paes (PSD) anunciou que pretende extinguir a Loterj (Loteria do Estado do Rio de Janeiro) e usou o tema para atacar a gestão do ex-governador Cláudio Castro (PL), cujo governo credenciou plataformas de apostas esportivas pela companhia pública, contornando a regulamentação federal.

“O governo Cláudio Castro transformou o Rio de Janeiro no paraíso das bets no Brasil. Ele transformou a Loterj num balcão de credenciamento de apostas. Virou rota de fuga de bet que queria fugir da regulamentação federal”, afirmou Paes, segundo quem a Loterj teria servido ao enriquecimento do grupo político representado por Douglas Ruas (PL), presidente da Alerj e adversário na disputa. Ruas não havia se manifestado sobre o tema.

Pernambuco

Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) reuniu-se na segunda-feira (28) com a direção da Federação Pernambucana de Futebol e representantes dos clubes. Ela anunciou a criação imediata de um grupo de trabalho e propôs linha específica de apoio financeiro aos times. “O futebol pernambucano é maior que as bets, e o Governo de Pernambuco vai ajudar os clubes”, declarou.

Raquel também disse ser importante ver Lula encampando a luta, embora não o citasse nas redes sociais, apesar dos acenos em atos de rua. Na sexta (25), dia em que o presidente fez ato com João Campos (PSB) no Recife, ela comentou nas redes a decisão de proibir as bets. Campos, seu adversário, reduziu em maio de 2025, quando prefeito do Recife, a alíquota do ISS para casas de apostas online de 5% para 2%. Ele se declarou contra as bets e qualquer tipo de jogo de azar e segurou, no ato com Lula, cartaz com a frase “fim das bets”. Sobre a redução do imposto, classificou a medida como adequação obrigatória à legislação do país.

Ceará e Bahia

No Ceará, Ciro Gomes (PSDB) disse ser favorável à proibição, mas criticou a condução do tema pelo governo Lula e defendeu regras de transição. Antes da decisão federal, ele já havia tratado do assunto nas redes: “Essas bets estão produzindo suicídio em massa, é uma coisa chocante. É uma tragédia que se produziu no Brasil. Eu não sei como pode um país ser tão apodrecido como nossa República está apodrecendo.”

Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) celebrou a decisão e afirmou que as apostas causam malefícios às famílias: “O salário que some antes do fim do mês, a dívida que só cresce, o jovem que troca o sonho pela aposta.” No primeiro semestre, ele chegou a enviar à Assembleia Legislativa projeto de criação da Loteba, loteria estadual, depois retirado de tramitação.

Minas Gerais

Em Minas, Cleitinho Azevedo (Republicanos) não tem citado o tema na campanha, mas tem histórico de críticas às apostas virtuais — neste mês, chamou as bets de “porcaria” em sabatina. Em 2025, o senador pediu para tirar uma selfie com a influenciadora Virginia Fonseca durante a CPI das Bets e solicitou que ela parasse de divulgar os jogos. Ele disse se arrepender do episódio e, em maio do ano passado, apresentou projeto que criminalizaria o funcionamento e a publicidade de sistemas de apostas ilegais, ainda sem avanço na tramitação. Seu adversário Patrus Ananias (PT) comemorou a medida.