O ex-presidente Michel Temer (MDB) anunciou nesta segunda-feira (5), em vídeo publicado em suas redes sociais, apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial de 2026.

Na gravação, Temer afirmou que o resultado das urnas demonstrou o desejo de mudança do eleitorado. “As urnas falaram. O povo brasileiro, autoridade única da democracia, deixou claro que deseja mudança. Quer atenção e respeito”, declarou.

Segundo o emedebista, os candidatos que compreenderam o movimento foram reeleitos, enquanto os demais abriram espaço para a renovação, visível “fortemente” na nova composição do Congresso Nacional e no desempenho de Flávio Bolsonaro, que chegou ao segundo turno em primeiro lugar.

Sem citar adversários, o ex-presidente criticou ainda o tom do debate político. “A sociedade não quer fórmulas repetidas e discursos grosseiros. Quer novas ideias, novas atitudes, novos projetos e um caminho diferente”, disse.

Temer encerrou o pronunciamento vinculando o candidato do PL à ideia de reconexão. “Quer, portanto, reconexão. E reconexão é Flávio. Um bom Brasil a todos”, concluiu.

Números da disputa

Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente Lula (PT), candidato à reeleição.

Anos de interlocução com Jair Bolsonaro

O apoio é fruto de anos de diálogo entre Temer e Jair Bolsonaro (PL). Em 2018, o emedebista declarou voto no então candidato do PSL no segundo turno. Em setembro de 2021, no programa Roda Viva, da TV Cultura, confirmou a escolha e disse não se arrepender: “Votei em quem não falou mal de mim”.

Em 2020, Bolsonaro convidou Temer para chefiar a missão humanitária brasileira enviada ao Líbano após a explosão no porto de Beirute. O ex-presidente viajou ao país à frente da comitiva em agosto daquele ano.

Ainda em 2021, nos atos de 7 de Setembro, Bolsonaro atacou o STF e disse que não cumpriria decisões do ministro Alexandre de Moraes. Após a repercussão, recorreu a Temer, que viajou a Brasília em avião da FAB, intermediou um telefonema entre os dois — Moraes fora indicado por Temer ao tribunal em 2017 — e ajudou a redigir a “Declaração à Nação”, na qual o então presidente recuou do tom contra a corte.

A relação, contudo, também teve divergências. Em janeiro de 2022, em entrevista à CNN Brasil, Temer criticou a condução da crise da pandemia de Covid-19 pelo então presidente. Segundo ele, Bolsonaro teria ampliado as chances de reeleição caso liderasse uma ação conjunta com governadores, Poderes e partidos, e classificou como “um equívoco” a postura contrária à vacinação.

Na eleição daquele ano, Temer preferiu ficar neutro no segundo turno entre Lula e Bolsonaro.

A interlocução seguiu após a saída de Bolsonaro do Planalto. Em fevereiro de 2024, antes de uma manifestação na avenida Paulista, Bolsonaro consultou Temer sobre o tom do discurso. O ex-presidente recomendou mensagem de pacificação e defesa da disputa pelas urnas, e transmitiu a ministros do STF que Bolsonaro não pretendia radicalizar.

Em 2025, ao articular governadores de direita e centro-direita em torno de uma candidatura única para 2026, Temer afirmou que o movimento não pretendia excluir Bolsonaro e avaliou que o ex-presidente mantinha “prestígio eleitoral”.

Passado no Planalto

Aos 86 anos, Temer governou o Brasil de 2016 a 2018. Ele assumiu interinamente a Presidência em maio de 2016, durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT), de quem era vice, e tornou-se presidente em definitivo após a destituição da petista, em agosto daquele ano.

O processo acelerou o rompimento entre Temer e o PT. Em março de 2016, ele passou a ser alvo de protestos contra o impeachment e foi chamado de “traidor” e “golpista” por dirigentes e apoiadores do governo.