A disputa sobre a abertura de sigilos bancários e fiscais entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ganhou um novo desdobramento nesta quarta-feira (21), a uma semana do segundo turno das eleições.
O candidato do PL afirmou que concorda em liberar suas informações, mas apenas se o presidente também abrir os dados do ex-assessor Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. A campanha de Lula respondeu dizendo que aceita a condição.
Segundo a Polícia Federal, Marcola teria recebido valores da lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, enquanto ela tentava negociar contratos com o governo federal — negociações que não avançaram. Os dois afirmam que os repasses foram empréstimos pessoais.
O senador Camilo Santana (PT-CE), porta-voz do presidente, declarou que Lula “não se opõe a absolutamente nada” do que foi proposto por Flávio, desde que o rival cumpra o pedido já apresentado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Segundo ele, a manifestação será protocolada às 11h desta quinta (22), e o petista desafiou o adversário a registrar sua autorização no mesmo horário.
Mais tarde, em Belo Horizonte, Lula comparou a polêmica a uma partida de truco. “Eu pedi para o Flávio abrir o sigilo. Hoje ele inventou um monte de mentira e trucou 6. Eu vou meter o 9 na cara dele amanhã”, disse.
Camilo criticou o fato de Flávio não ter incluído na proposta a Alcazar Holding, empresa na qual é sócio o advogado Willer Tomaz, amigo do senador. De acordo com a PF, o parlamentar tinha acesso como usuário master a uma conta bancária da empresa, acesso que foi solicitado para exclusão em maio de 2025. Os dois negam compartilhamento da conta.
A menção a Marcola faz parte de uma contraproposta protocolada pela equipe jurídica de Flávio no TSE. No documento, o senador se compromete a entregar sigilos dos últimos 20 anos, incluindo os de familiares e empresas em seu nome, e não se opõe à abertura das mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Em contrapartida, exige dados de Marcola e de outros auxiliares presidenciais, de empresas ligadas aos filhos de Lula, do Instituto Lula e do cartão corporativo, além dos registros de passagem de Roberta Luchsinger no Planalto e na Alvorada e da agenda da primeira-dama, Janja. A peça afirma que o desafio de Lula é “vazio” e busca “ludibriar o eleitorado”.
O desafio foi lançado por Lula no debate da Band, no domingo (18), e formalizado no TSE na terça (20). O petista promete abrir seus dados, os de Janja, dos filhos, dos netos maiores de 18 anos e da empresa de palestras da qual é sócio, caso Flávio faça o mesmo em relação a si, aos pais, aos irmãos, à esposa e a cinco empresas. O processo está com o ministro André Mendonça, e Camilo pediu que ele aja “com imparcialidade”.
Na avaliação da campanha petista, o tema foi um dos pontos altos do presidente no debate e desgastou o rival. A estratégia deve ser repetida no debate da Globo, dois dias antes da votação. Lula encerrou o primeiro turno com cerca de 45% dos votos válidos, contra 47% de Flávio.
Em ato do PL em Guarulhos, Flávio imitou Lula e questionou como o presidente poderia abrir sigilos telefônicos sem ter celular. O evento, que lotou um salão para 7 mil pessoas, contou com discursos do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e ataques de aliados ao STF e ao ministro Alexandre de Moraes. Flávio afirmou que Lula “deve a eleição” a Moraes e prometeu indicar ao Supremo pessoas “contra as drogas” e “contra o aborto”.
