Ato de estudantes de direita em SP tem clima de festa e ligação de Tarcísio

A entrada do Insper, na rua Quatá, zona sul de São Paulo, foi ocupada nesta quarta-feira (21) por centenas de estudantes de direita em ato de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições de 2026.

Com camisas amarelas da seleção brasileira e bonés com inscrições como “Flávio 2026”, “AGRO” e “Make Brazil Great Again”, os jovens celebravam, segundo os organizadores, “o fim da hegemonia da esquerda nas universidades”.

O ambiente era festivo: sinalizadores soltavam fumaça verde e amarela na rua, e os participantes dançavam versões bolsonaristas de funks, com letras sobre o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e contra a esquerda. Coros como “Ei, Lula, vai tomar no cu” e “Lula ladrão, seu lugar é na prisão” foram entoados entre as músicas.

Alguns estudantes consumiam bebidas destiladas no gargalo e, ao final do ato, vários apresentavam sinais visíveis de embriaguez.

Mudança de local e ausências

A manifestação havia sido marcada inicialmente para a PUC, universidade com tradição de militância de esquerda, e tinha como articulador o deputado federal Lucas Pavanato (PL-SP). O deputado estadual Lucas Bove (PL-SP) avaliou o local como arriscado e transferiu o ato para o Insper.

Pavanato e a deputada estadual Eduarda Campopiano (PL-SP), além de Pablo Marçal e do senador eleito Guilherme Derrite, haviam confirmado presença, mas não apareceram. Participaram Bove, o ex-candidato a deputado federal Victor Ruiz (PP-SP), conhecido pelo slogan “terror da USP”, e o youtuber Paulo Kogos.

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito, participou por chamada de vídeo, amplificada por microfone. Ele parabenizou os organizadores e afirmou que “o Brasil pode muito mais”, defendendo “a família e a livre iniciativa”, e pediu empenho para “convencer indecisos” nos dias restantes.

Os discursos de Kogos e Ruiz foram mais incisivos. Kogos citou o temor ao comunismo e afirmou que os estudantes eram “a prova de que os comunistas falharam”. Ruiz declarou que as universidades se transformaram “de centros acadêmicos em centros de militância”.

Após o ato

Ao fim das falas, os manifestantes seguiram para um bar da região, em clima descontraído, com paquera e consumo de bebidas. Dois rapazes de 20 anos, que pediram anonimato, disseram à reportagem se posicionarem politicamente no centro e estarem presentes mais para flertar do que por apoio ao bolsonarismo.

O ato ocorreu em um dia de intensas mobilizações em São Paulo. Simultaneamente, a esquerda se reuniu na praça Roosevelt, com políticos do PSOL e da UP, e um ato pela democracia foi realizado na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Mais cedo, motoboys pró-Lula fizeram uma motociata pelo centro da cidade.

Na praça Roosevelt, lideranças discursaram contra o que chamam de ascensão do fascismo no Brasil e no exterior, e movimentos de juventude, mulheres e LGBTQIA+ defenderam a reeleição de Lula. O ato foi apresentado como preparação para manifestações estudantis pró-Lula marcadas para sábado (24), na avenida Paulista.

O evento no Insper segue uma manifestação realizada na última quarta-feira (14) na Universidade Presbiteriana Mackenzie, com presenças mais fortes, como as de Pavanato e Campopiano, e ânimos mais elevados.