Tarcísio de Freitas (Republicanos) assume em 6 de janeiro, pela segunda vez, o comando de São Paulo, o estado mais populoso do país. Com 99% das urnas apuradas, o governador reeleito somava 62,65% dos votos.

Do Exército à política

Antes estreante no mundo da política, Tarcísio tem 51 anos, sendo 17 deles dedicados à carreira militar e 14 ao funcionalismo público federal. Ex-ministro da Infraestrutura no governo Jair Bolsonaro, ele se apresenta como um “técnico” e “realizador”.

Nascido no Rio de Janeiro, passou a infância em Brasília. Filho de Maria Alice e Amaury, diz ter herdado da mãe a fé e do pai o amor pelo futebol e pelo Flamengo, sua “maior saudade”. É casado com Cristiane há 28 anos e tem dois filhos: Matheus, de 27 anos, e Letícia, de 19.

Aos 17 anos, foi para Campinas cursar o último ano do Ensino Médio na escola preparatória de cadetes do Exército. Embora vote em São José dos Campos, nunca morou na cidade do Vale do Paraíba, onde vivem familiares.

Carreira militar e missão no Haiti

Em 1996, formou-se em ciências militares pela Academia Militar de Agulhas Negras (Aman) e passou a atuar como oficial do Exército. Em 2002, concluiu a graduação em engenharia civil e tornou-se engenheiro da corporação.

Além do Rio e de São Paulo, viveu também em Pernambuco, no Rio Grande do Norte, no Amazonas e no Haiti, onde chefiou a seção de engenharia do Exército brasileiro em uma missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU). O período deixou marcas: ele desenvolveu síndrome do pânico, sintoma de uma depressão que precisou tratar com remédios por dois anos.

Tarcísio deixou a carreira militar em 2008, com a patente de capitão, e ingressou no funcionalismo público federal. Foi diretor-executivo e diretor-geral do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e atuou na Secretaria Especial do Programa de Parceria de Investimentos durante os governos de Dilma Rousseff e Michel Temer.

Ministro e “Tarcisão do Asfalto”

Em dezembro de 2018, foi nomeado ministro da Infraestrutura pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), cargo que ocupou até 2022. As obras de pavimentação pelo país lhe renderam o apelido de “Tarcisão do Asfalto”. A gestão também se destacou nas privatizações, com 81 pregões de aeroportos, terminais portuários, ferrovias e rodovias.

Em março de 2022, filiou-se ao Republicanos, partido do Centrão que integra a base do governo no Congresso, e encarou a primeira campanha eleitoral, que culminou com a vitória.

Estratégia de campanha e aliados

Se em 2022 se aproximou do discurso do padrinho político, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), quatro anos depois adotou uma estratégia diferente na disputa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL): apesar de ir às ruas com Flávio em atos, deixou para gravar a participação na propaganda eleitoral do candidato do PL na reta final da campanha.

Declarou à Justiça Eleitoral possuir bens no valor de R$ 2,6 milhões — na eleição de 2022, eram R$ 2,3 milhões. Sua coligação, Coragem para Seguir Avançando, reúne Republicanos, PL, MDB, Democrata, Avante, PSD, Federação Renovação Solidária (PRD e Solidariedade) e Federação União Progressista (União e PP). O vice na chapa segue o mesmo: Felício Ramuth (PSD).