Erika Hilton (PSOL-SP), mulher mais votada entre os deputados federais eleitos em 2026 e terceira colocada no ranking geral, afirmou que seu partido cometeu um erro estratégico que contribuiu para a legenda não superar a cláusula de barreira.

Em entrevista à Folha, a parlamentar criticou a não federação com o PT, a redistribuição do fundo partidário e a desvalorização de algumas candidaturas. Ela também admitiu a possibilidade de migrar para o partido do presidente Lula em 2027 e defendeu a reorganização do PSOL para enfrentar a extrema direita no Congresso.

Balanço do primeiro turno

Segundo a deputada, a campanha de Lula deixou a desejar na comunicação. Para ela, a disputa poderia ter explorado mais a imagem do presidente e comunicado melhor seus feitos. Ela reconheceu, no entanto, pontos acertados, como a demonstração da grandiosidade do presidente nas agendas realizadas, os programas e as entregas do governo.

Hilton avaliou que todas as campanhas cometem erros, mas disse que o segundo turno permite corrigir rumos e focar no que pode mudar o resultado. Segundo ela, o time está em novo esforço para virar votos e impedir a eleição de Flávio Bolsonaro (PL).

Sobre as redes sociais, ela considerou positivos os vídeos selfie publicados por Lula, mas avaliou que as redes do presidente precisam denunciar mais e alertar o eleitorado sobre os riscos da eleição de Flávio Bolsonaro.

Relação com Nikolas Ferreira e Pavanato

A parlamentar também refletiu sobre o que teria em comum com Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), os dois deputados federais mais bem votados na eleição. Nikolas e Pavanato são conhecidos por ataques transfóbicos contra a deputada.

“Me dá uma certa ojeriza, um certo horror, imaginar que eu possa ter algo em comum com duas figuras tão desprezíveis da política brasileira”, declarou.

Ela afirmou, porém, que o domínio das redes sociais pode ser a semelhança entre os três. “Uns para o bem, outros para o mal”, resumiu.

Questionada sobre as votações de Nikolas e Pavanato, Hilton argumentou que a política segue sendo um espaço extremamente masculino e branco, que o ódio continua mobilizando eleitores e que a ausência de debate sobre projetos ajuda a eleger esse tipo de candidato. Segundo ela, os dois não discutiram ideias nem propostas para o Brasil e usaram “a dor de minorias sociais” como plataforma política.

Pautas do mandato e ameaças

A deputada credita o próprio desempenho às pautas defendidas no mandato, do fim da escala 6×1 à pesquisa “Mulheres na Ciência”, passando por meio ambiente, direitos de crianças e adolescentes, combate à violência contra a mulher e segurança pública. Ela também citou projetos de sua autoria, como “Cidades Resilientes” e refugiados climáticos, e destacou o papel das redes sociais na capilaridade do trabalho, em especial no estado de São Paulo.

Hilton comentou ainda o avanço da direita no Congresso e a perspectiva de aprovação do fim da escala 6×1, além de abordar a ameaça de morte recebida por e-mail no dia do primeiro turno.

“São muitas e muitas ameaças constantes”, afirmou. “Vivo sob um regime de extrema proteção.”