A campanha de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, classificou como um erro uma ação que, à primeira vista, parecia um acerto: a série de vídeos gravada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) ao lado de eleitores do Nordeste que faziam críticas ao presidente Lula. O material publicado nas redes sociais terminou em constrangimento entre os próprios aliados.

Perfil dos entrevistados pesou contra a estratégia

A reação negativa foi especialmente forte na própria região retratada nas gravações. Um dos pontos que mais pesaram foi a escolha dos entrevistados: parte das pessoas que aparecem nos vídeos tem boas condições financeiras e, por isso, não se encaixava no perfil que o parlamentar buscou apresentar no material divulgado nas redes sociais. A distância entre a narrativa pretendida e a realidade dos entrevistados chamou a atenção do público e alimentou as críticas ao deputado.

Objetivo era diminuir vantagem de Lula no Nordeste

De acordo com um assessor da campanha de Flávio Bolsonaro, a intenção de Nikolas Ferreira, em si, era boa: tentar diminuir a vantagem do presidente Lula no Nordeste. A avaliação interna, contudo, é de que o efeito prático pode ser exatamente o contrário do desejado. Em vez de enfraquecer o adversário, a ação acabou oferecendo munição ao campo contrário.

O temor de reflexos negativos ganhou força porque adversários de Flávio Bolsonaro passaram a divulgar que Nikolas Ferreira chegou a usar, entre os entrevistados, personagens que têm Hilux, caminhonete da Toyota de alto valor. A informação começou a circular e se transformou em mais um problema para a estratégia.

Campanha de Lula explora o episódio

Do outro lado da disputa, a campanha do presidente Lula passou a divulgar que Nikolas Ferreira acabou depreciando o eleitor nordestino com os vídeos. Para o campo governista, o material serve como exemplo de que a oposição errou o alvo justamente na região em que busca avançar eleitoralmente.

O desconforto entre os aliados expõe os riscos das produções voltadas para as redes sociais em plena campanha eleitoral. O que nasceu como uma iniciativa para reduzir a força de Lula no Nordeste terminou classificado pela própria equipe de Flávio Bolsonaro como um erro, com potencial de produzir o efeito oposto ao esperado.