A mineradora australiana Lynas Rare Earths anunciou na quarta-feira (30) um acordo de 968 milhões de dólares australianos — o equivalente a cerca de R$ 3,5 bilhões — para adquirir a conterrânea Meteoric Resources, responsável pelo Projeto Caldeira, empreendimento de terras-raras em desenvolvimento nas proximidades de Poços de Caldas, no sudoeste de Minas Gerais.
Conforme o comunicado oficial, a transação será quitada integralmente em ações. A operação contempla a compra de 100% das ações da mineradora e ainda depende de aprovação. A íntegra do documento está disponível em inglês (PDF – 1 MB).
Em agosto, a Lynas já havia sinalizado a intenção de ampliar sua cadeia de suprimentos global e assegurar novo fornecimento de matéria-prima junto a desenvolvedores de projetos em diferentes partes do mundo.
Maior depósito fora da China
Em nota conjunta, as empresas informaram que o Projeto Caldeira reúne o maior recurso mineral conhecido de óxidos de terras-raras em argilas iônicas fora da China.
A Lynas declarou que pretende atuar em conjunto com a equipe da Meteoric para acelerar o desenvolvimento do Caldeira. A estimativa da companhia é de que o aporte de capital necessário para o avanço do projeto supere US$ 500 milhões.
Além disso, a australiana se comprometeu a repassar à Meteoric um valor provisório de até 110 milhões de dólares australianos para custear a continuidade dos trabalhos.
Com a conclusão do negócio, os acionistas da Meteoric Resources passarão a deter cerca de 5,9% da companhia resultante da combinação. A votação do acordo está marcada para janeiro de 2027.
Contexto regulatório
O anúncio ocorre duas semanas após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionar a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que estabelece diretrizes para a pesquisa, a extração, o processamento e a industrialização desses recursos no Brasil.
Sancionado em 16 de setembro, o PL 2.780 de 2024 institui ainda o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, órgão vinculado à Presidência da República que terá entre suas atribuições acompanhar e propor medidas para o setor.
A proposta, de autoria do deputado Zé Silva (Solidariedade-MG) e de outros parlamentares, foi apresentada em julho de 2024. Após aprovação na Câmara e no Senado, o texto foi encaminhado ao Palácio do Planalto em 4 de setembro de 2026.
Minerais críticos e estratégicos são insumos utilizados em setores como energia, tecnologia e indústria. A nova política busca ampliar as etapas de processamento e industrialização dentro do país, indo além da extração mineral.
