O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, anunciou nesta terça-feira (13) que votará a favor da proposta de emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1, de autoria do governo Lula (PT). A declaração foi feita à imprensa logo após uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar por condenação no caso da tentativa de golpe de Estado.
“A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da 6×1, então vou votar a favor”, afirmou o senador.
Mudança de discurso
A posição anunciada representa uma virada na postura do candidato. Até então, Flávio evitava dizer como votaria e classificava como oportunista a discussão da matéria a duas semanas do segundo turno da eleição. No último dia 6, quando a PEC começou a tramitar no Senado, afirmou que Lula, “no meio do segundo turno, vem de uma forma oportunista querer fazer um movimento achando que isso vai dar voto para ele”.
O senador também não participou de nenhuma das três sessões de debate realizadas até agora, assim como outros parlamentares do PL. O regimento da Casa prevê cinco sessões plenárias de discussão antes da votação em primeiro turno.
A votação da proposta, que exige aprovação em dois turnos, está prevista para começar nesta quarta-feira (14), conforme pauta definida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A sessão será presencial e remota — Flávio tem agendas de campanha em Porto Alegre, mas pode votar pelo celular.
Aposta de Lula
A aprovação de um dia extra de folga com manutenção salarial é uma das principais apostas de Lula (PT) para tentar reverter a desvantagem nas pesquisas, em que aparece atrás de Flávio. Segundo o petista, a mudança do adversário é fruto de pressão da sociedade. No domingo (11), o presidente afirmou que a votação antes do segundo turno já havia sido acertada com Alcolumbre. “A única coisa que a oposição pode fazer é demonstrar se eles vão ter coragem de votar contra ou a favor”, disse.
A base governista começou a colher assinaturas para que os dois turnos sejam votados no mesmo dia, o que exige apoio de 54 senadores ou de líderes que representem esse total em suas bancadas.
Posição do PL
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), aliado do presidenciável, negou que a declaração represente mudança de posicionamento do partido. “Aqui [na Câmara] votamos a favor. Nunca mudou a opinião”, declarou. Na Câmara, o PL chegou a criticar o viés eleitoral da medida e tentou adiar a análise na comissão especial, apresentando requerimento pela adoção da escala 4×3 — quatro dias de trabalho e três de folga — e pela vigência imediata, sem transição.
O partido ainda não divulgou publicamente uma posição oficial sobre a proposta, mas senadores da legenda indicaram que a oposição não deve obstruir nem esvaziar a pauta.
Reservas do candidato
Apesar do anúncio de apoio, Flávio garantiu a aliados e empresários que, se eleito, promoverá a revisão de pontos da proposta, segundo apuração do Painel. Ele se comprometeu a discutir o projeto do senador Rogério Marinho (PL-RN), que prevê regime flexível por horas trabalhadas e negociadas diretamente com o empregador — modelo criticado pelo governo. Na prática, a alternativa implica redução salarial em caso de jornada menor.
O candidato voltou a criticar a compensação da manutenção dos salários. “Os empresários estão sufocados, estão quebrados. Então o governo vai ter que bancar essa compensação”, disse, apontando risco de aumento da informalidade. Ele defendeu a proposta do PL: “A gente defende algo ainda melhor. Eu queria que tivesse liberdade para o trabalhador montar sua jornada”, argumentou, citando o caso de mães que só conseguem trabalhar parte do dia.
