O Lola Brasil, grupo liberal formado por mulheres, criticou a decisão do governo de proibir as casas de apostas online e avaliou que o Executivo escolheu o caminho oposto ao adotado diante de outros segmentos que também causam danos à população.

Em artigo, Sara Ganime, integrante do coletivo, sustenta que o fim das bets penaliza justamente as empresas que cumpriram as exigências da regulamentação, que estariam pagando a conta pelo comportamento de quem agiu fora da lei. Ela lembra o valor desembolsado pelas plataformas para obter a licença necessária para operar após a regulamentação do setor.

“Aceitaram verificar idade, recolher imposto e aderir à plataforma de autoexclusão do governo, que bloqueia de uma vez todos os sites autorizados e já foi usada por mais de meio milhão de brasileiros”, afirmou Ganime.

Indignação com o golpe, não com a aposta

Para a integrante do grupo, a revolta dos brasileiros não se dirige à aposta em si, mas ao golpe e ao crime praticados por aqueles que tentam lucrar com o vício das pessoas. Ela cita o caso de um grupo que promovia o “jogo do tigrinho”, indiciado pela polícia e responsável por movimentar R$ 130 milhões.

Ganime compara a situação das casas de apostas à das canetas emagrecedoras paraguaias, que chegaram a ser divulgadas abertamente por influenciadores mesmo sem registro na Anvisa.

“Ninguém propôs proibir a tirzepatida. A resposta da agência não foi tirar o remédio das farmácias. Foi monitorar, alertar na bula e punir quem vende o falsificado”, escreveu.

Defesa de mais fiscalização

No texto, o grupo defende que o setor seja submetido a uma fiscalização mais rigorosa, com punição, aplicação de multas e até cassação da licença para quem descumprir as regras estabelecidas.

O artigo sustenta ainda que a proibição não impedirá o apostador de jogar. Segundo a avaliação do coletivo, o apostador seguirá perdendo dinheiro, apenas em sites clandestinos.

A posição do Lola Brasil reforça o argumento de que o combate deve ser dirigido ao golpe e ao crime, e não à atividade de quem opera dentro da legalidade.