A defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a retirada do canal de mensagens do WhatsApp batizado de “Exército do Lula” do registro da candidatura do petista. Em petição apresentada ao tribunal, os advogados solicitaram o “cancelamento da anotação” do endereço do canal no documento oficial de registro.
No pedido, a defesa sustenta que o canal não mantém vínculo oficial com a campanha eleitoral do presidente. O argumento busca desassociar a ferramenta de comunicação da estrutura formal da candidatura perante a Justiça Eleitoral.
Registro havia sido feito pela própria campanha
O episódio marca uma mudança de posicionamento em relação ao que ocorreu anteriormente. Após uma série de impasses envolvendo a ferramenta na Justiça Eleitoral, a própria campanha de Lula havia registrado o canal no TSE no dia 13 de outubro. Naquele momento, a inclusão do endereço no registro da candidatura funcionou como uma forma de regularizar a situação do canal diante do tribunal.
Agora, com a nova petição, a defesa do petista tenta reverter essa situação e eliminar qualquer ligação formal entre o canal e a disputa eleitoral registrada no TSE.
Canal com mais de 8,3 milhões de inscritos
O “Exército do Lula” é coordenado pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG) e já ultrapassou a marca de 8,3 milhões de inscritos. A ferramenta funciona como um canal de comunicação direta com apoiadores do presidente, por meio da distribuição de áudios, vídeos e orientações.
O espaço ganhou projeção ao longo da campanha como um dos principais veículos de comunicação do grupo de apoio a Lula nas redes, sendo utilizado para divulgar conteúdos de mobilização e mensagens voltadas à base de eleitores e simpatizantes do petista.
Atuação da Justiça Eleitoral
O canal também já foi alvo de atenção do próprio TSE. O ministro Nunes Marques determinou que a Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, realizasse um pente-fino no “Exército do Lula”, o que aumentou o escrutínio sobre o funcionamento e o conteúdo veiculado na ferramenta.
Com a nova petição da defesa, o tribunal deverá analisar se o canal permanece ou não vinculado ao registro da candidatura de Lula. O desfecho do pedido pode definir o tratamento formal que o “Exército do Lula” receberá da Justiça Eleitoral nos trâmites relacionados à disputa.
O caso ilustra a disputa jurídica em torno das ferramentas digitais de comunicação usadas na campanha, tema que tem gerado debates recorrentes no TSE sobre os limites entre mobilização de apoiadores e atuação integrada à estrutura oficial das candidaturas.