O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta terça-feira (13) que os partidos de centro precisam entender como sobreviver ao que chamou de “selva política”, depois que a direita avançou sobre as cadeiras do grupo no Congresso nas eleições deste ano. O parlamentar paraibano quer permanecer no comando da Casa e já recebeu o apoio do líder do PSD, Antônio Brito (BA).
“Temos que olhar para o resultado da eleição e tentar entender como será o nosso futuro. Compreendendo o que foi o resultado das urnas, legitimado pela vontade popular, mas que, a partir dali, como nós, que vamos estar aqui a partir de fevereiro, vamos sobreviver nessa selva política e nesse país tão radicalizado”, disse Motta.
União do centro
Para o presidente da Câmara, a união das legendas de centro é o caminho para influir nas decisões da próxima legislatura. “Quando esse centro político se junta, esse centro político decide o que será aprovado, o que será pautado e o que será feito aqui no Parlamento”, declarou, após conversa com Brito. Os dois foram adversários na última disputa pela presidência da Casa.
“Precisamos, mais do que nunca, estar juntos”, afirmou Motta, ao considerar vital a coesão do grupo diante do resultado das urnas. Segundo ele, como tem direito à reeleição no cargo, caberá a ele “individualmente construir a viabilidade” da própria candidatura.
Encolhimento do centrão
O cenário para a ala de Motta é de perda de força. O PL elegeu 121 deputados e terá a maior bancada da Câmara a partir de 2027. A sigla também conquistou o maior número de cadeiras no Senado e pretende assumir o controle de pelo menos uma das Casas do Congresso, com influência direta na escolha da direção da outra.
O centrão, grupo político de Motta, tinha 140 deputados antes das eleições e passará a 128 na próxima legislatura. Outras legendas do mesmo espectro, como PSD e MDB, também perderão cadeiras a partir de 2027. Atualmente, o Republicanos detém 41 cadeiras na Câmara e o PSD, 43.
A recondução de Motta ao comando da Casa é vista como ameaçada pelo favoritismo de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial e pelo desempenho do PL na disputa pelo Congresso. Neste ano, o presidente da Câmara apoiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fez campanha para o petista na Paraíba e chegou a usar um boné com o nome do mandatário.
Recompensa ao PSD
Motta afirmou que a declaração de apoio do PSD será reconhecida no futuro, na formação de um grande bloco de partidos de centro. “Nós estamos começando a conversar com os partidos de centro para poder ver qual o tamanho que esse bloco vai ficar, para que, a partir daí, o PSD possa ter o seu tamanho e reconhecimento, de ter sido o primeiro partido a querer fazer parte desse bloco. E nós sabemos que na política é assim: quem chega primeiro bebe água mais limpa”, disse.
A Câmara elegerá novo presidente em fevereiro de 2027, quando os deputados da próxima legislatura assumirem o mandato.
