A reta final da campanha presidencial é tensa e, muitas vezes, inusitada — ainda mais em uma disputa tão apertada como a atual. É quando “bombas” reais e imaginárias e os famosos factoides costumam prosperar. Terminada a eleição, tudo vira fumaça e folclore político.
Campeonato da transparência
O exemplo mais visível é a guerra dos sigilos entre as campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro. A briga virou um campeonato de quem se mostra mais transparente ao eleitor. No debate da Band, Lula provocou: “Abre o seu sigilo”. O senador respondeu que abriria o dele e o da família se o presidente fizesse o mesmo. O petista retrucou: topa, desde que o adversário mostre o sigilo de todas as suas empresas.
As duas campanhas registraram o impasse no TSE, posando para as câmeras — quando seria mais fácil simplesmente divulgar tudo na internet. No caso de Lula, uma alternativa seria o chamado “Exército” de André Janones.
“General” Janones e as bombas
Os enormes grupos de WhatsApp comandados pelo deputado são outra marca do segundo turno. Nomeado general da campanha petista, Janones virou meme com seus gritos de “explode” e suas ameaças de divulgar bombas contra Flávio. Depois da eleição, ele provavelmente voltará a ser um deputado de pouca expressão na Câmara.
Cartada final do senador
Do lado de Flávio, as acusações da lobista Roberta Lucshinger, ex-amiga de Lulinha, filho do presidente, são a aposta final da campanha. O tema, que já apareceu na disputa, deverá voltar ao centro do último debate, na TV Globo, na sexta-feira.
Do tédio à euforia
Depois de um primeiro turno morno, em que a discussão mais quente foi sobre Nossa Senhora Aparecida, o segundo turno enfim teve uma campanha vibrante. Lula e Flávio arrastaram multidões para as ruas, com a juventude dando o ritmo.
A campanha do presidente conseguiu tornar imprevisível uma disputa que parecia decidida em favor do candidato do PL.
Medo do deslize fatal
A preocupação das duas candidaturas agora é evitar algum tropeço irreversível nos últimos dias, porque não haveria tempo para consertar o estrago. Lula pretende ser cuidadoso no debate da Globo para não cair em provocações do adversário.
Flávio, por sua vez, quer evitar um “momento Carla Zambelli”, que prejudicou seu pai na véspera da eleição de 2022, quando a deputada perseguiu, armada, um homem no meio da rua.
A poucas horas de uma das eleições mais acirradas da história do Brasil, fake news, distorções e provocações seguem no cardápio até domingo.