Mais de um terço das pessoas que financiaram a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) também aportaram recursos na candidatura de Jair Bolsonaro (PL), pai do senador, nas eleições de 2022. No caso de Lula (PT), a repetição foi bem menor: foram oito financiadores do pleito anterior, o equivalente a 1,4% do total de pessoas físicas que destinaram dinheiro à campanha do petista neste ano.

Doadores recorrentes de Flávio Bolsonaro

No caso do candidato do PL, dezenove doadores recorrentes fizeram depósitos acima de R$ 100 mil. Desses, treize realizaram as doações depois do primeiro turno das eleições — ou seja, após 4 de outubro, data em que Flávio Bolsonaro ficou à frente de Lula nas urnas.

A maioria desses financiadores é formada por empresários, presidentes de empresas, produtores e executivos ligados ao agronegócio.

Os maiores aportes, de R$ 500 mil a R$ 1 milhão, partiram de três nomes: Alexandre Grendene Bartelle, bilionário e cofundador da fabricante de calçados Grendene; Fernando de Castro Marques, presidente da farmacêutica União Química; e Gilson Lari Trennepohl, dono da Stara, uma das maiores empresas de máquinas agrícolas da América Latina.

Do lado de Lula

Entre os oito doadores recorrentes da campanha de Lula, todos têm relações próximas com o petista ou integram o governo. A lista inclui Celso Amorim, assessor especial para assuntos internacionais; Aloizio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); e Miriam Belchior, ministra da Casa Civil.

Os valores doados por esse grupo variam, no total, de R$ 1 mil a R$ 27 mil — montante bem inferior aos aportes registrados na campanha de Flávio Bolsonaro.

Os dados revelam perfis distintos de financiamento eleitoral: enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro concentra grandes aportes empresariais, com forte presença do agronegócio e alta taxa de doadores que também apoiaram Jair Bolsonaro em 2022, a campanha de Lula registrou pouca recorrência entre eleições e doações de valores bem mais baixos, vindas majoritariamente de figuras ligadas ao próprio governo petista.