O ex-candidato à Presidência Renan Santos, que disputou a eleição de 2026 pelo partido Missão, confirmou nesta sexta-feira (23) que não irá votar no segundo turno, marcado para o domingo (25), entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). A informação foi repassada pela assessoria do líder do MBL (Movimento Brasil Livre).

Segundo a assessoria, Renan passará o fim de semana com a família em Vinhedo, no interior de São Paulo, e deverá justificar a ausência às urnas junto à Justiça Eleitoral.

Rejeição aos dois candidatos

O ex-presidenciável mantém a postura adotada desde a apuração de 4 de outubro: não declarar apoio a nenhum dos finalistas nem orientar seus eleitores. Logo após o primeiro turno, ele afirmou que deixaria seus apoiadores livres para escolher. “Eu não voto em bandido. Não recomendo a ninguém que vote em bandido. Flávio é bandido. Lula é bandido”, declarou na ocasião.

Parte das críticas concentrou-se no senador do PL, a quem chamou de “um homem fraco e um corrupto” e afirmou que, se eleito, o país seria governado pelo “mais corrupto da família Bolsonaro”.

Nos dias seguintes ao primeiro turno, Renan passou a modular o discurso da campanha e a interagir mais com eleitores de esquerda. “Não sou Bolsonaro, então como eu posso ser direita?”, questionou. À reportagem da Folha, disse estar disposto a conversar com pessoas de esquerda e admitiu ter “passado do tom” em alguns momentos da campanha.

Disputa pelos votos do quarto colocado

A mudança de tom ocorreu no meio da disputa entre petistas e bolsonaristas pelos votos que ele recebeu no primeiro turno, quando ficou em quarto lugar, com 2,24% dos votos válidos. Renan afirmou acompanhar os esforços dos dois grupos e comentou que “a turma da esquerda está muito mais divertida na tentativa deles”. Naquele período, a cantora Anitta passou a segui-lo no Instagram e compartilhou uma publicação com críticas feitas por ele à atuação dos Estados Unidos nas eleições brasileiras.

Após o primeiro turno, o ex-candidato publicou um vídeo com cortinas vermelhas recém-compradas para sua casa, o que parte dos seguidores interpretou como sinalização política. Renan rejeitou a leitura: “Eu odeio o PT. Eu jamais vou votar no Lula”, afirmou, explicando que as cortinas serviriam apenas para bloquear a entrada de luz no quarto. “Isso aqui é só uma cortina”, disse.

A rejeição simultânea aos dois adversários já marcava a campanha presidencial. No ato de 7 de setembro no Obelisco do Ibirapuera, em São Paulo, afirmou que Lula representava o risco de um governo autoritário de esquerda e que Flávio era uma “oligarquia de corruptos do centrão”. Antes, em 1º de agosto, durante evento nacional do Missão, chamou os dois de “vagabundos” e disse que ambos deveriam “ir para a lata de lixo da história”, além de se referir ao petista como “maldito” e ao senador como “farsante, fraco e corrompido”.

Analista da disputa

Em live de uma hora e 20 minutos na sexta-feira (23), Renan seguiu criticando os dois candidatos e se colocou menos como participante da disputa e mais como analista. Segundo ele, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) está “carregando a campanha do Flávio no segundo turno”, e o candidato do PL é um “personagem político meio louco” que não pode basear a campanha nas próprias falas.

Do outro lado, apontou André Janones (Rede-MG) como o “general de campo” de Lula. Para Renan, o petista caminhava para uma derrota certa, mas voltou à disputa e aparece empatado com Flávio em votos válidos na pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (22). Na avaliação do ex-candidato, esta é “a maior eleição de mobilização de rua da história do Brasil, de longe”, mas “uma não eleição, com não debate, com não discussões” — vencerá quem levar mais eleitores às urnas.