O presidente Lula acusou o senador Flávio Bolsonaro de agir com “duas caras” quando o assunto é o Bolsa Família e apontou risco ao futuro do programa social. A crítica foi destacada em peça de campanha que resgata o histórico do parlamentar em relação ao benefício e busca explorar a contradição entre o discurso e os votos do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Ele votou contra o aumento do Bolsa Família e chamava de ‘bolsa-farelo’”, destaca o material de campanha, em referência direta ao posicionamento público do senador sobre o programa de transferência de renda.

A tese das “duas caras”

O argumento central da ofensiva é a contradição apontada pelo presidente. Na avaliação de Lula, Flávio Bolsonaro não pode ser apresentado como defensor do Bolsa Família, já que teria votado contra a ampliação do benefício e usado um apelido pejorativo para se referir ao programa. Para o petista, esse contraste entre a postura atual e a atuação parlamentar anterior configura a “dupla face” mencionada na crítica e representa ameaça à continuidade da política social.

O peso do apelido “bolsa-farelo”

A expressão “bolsa-farelo” é o ponto mais incisivo da peça. O termo remete ao farelo, insumo de baixo custo empregado na alimentação de animais, e foi usado no passado pelo senador para se referir ao programa. Ao retomar a frase, a campanha procura fixar na opinião pública a ideia de desdém de Flávio Bolsonaro em relação a um dos principais instrumentos de transferência de renda do país, voltado a famílias em situação de vulnerabilidade.

Programa social no centro do embate

O Bolsa Família ocupa lugar de destaque no debate político brasileiro e historicamente mobiliza as disputas eleitorais. Ao atacar Flávio Bolsonaro com base em votos e declarações antigas, Lula tenta transformar o programa em linha divisória entre o governo e a oposição, atribuindo ao senador o papel de risco à manutenção do benefício.

Segundo a peça, o registro de que o senador rejeitou o aumento do programa pesa mais do que eventuais manifestações atuais de apoio à pauta social. A estratégia é lembrar ao eleitorado o desempenho parlamentar de Flávio Bolsonaro em votações ligadas ao tema.

Com o ataque, a disputa pela bandeira da proteção social volta ao centro do debate político. A peça sintetiza a tese da campanha: fixar a imagem de contradição entre o discurso de hoje e os votos e as declarações do passado, usando o próprio Bolsa Família como termômetro do embate entre governo e oposição.