O PSD, legenda do ex-candidato ao Governo do Rio de Janeiro Eduardo Paes, acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) na tentativa de restabelecer o segundo turno da disputa pelo governo fluminense, marcado para 25 de outubro.

No sábado (10), o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) oficializou a eleição de Douglas Ruas (PL) já no primeiro turno. A confirmação foi possível após a retotalização dos votos, determinada por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que anulou os 274.411 votos recebidos pelo ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos). Com a exclusão, Ruas alcançou mais de 50% dos votos válidos, percentual exigido para vencer sem novo confronto.

Números da disputa

Na apuração original, realizada em 4 de outubro, Ruas somou 4.271.199 votos, o equivalente a 49,27% dos válidos. Eduardo Paes (PSD), segundo colocado, registrou 3.706.984 votos, ou 42,76% — resultado que levaria os dois candidatos ao turno decisivo.

Garotinho terminou a eleição com 274.411 votos, cerca de 3,17% do total de votos válidos inicialmente computados. Retirada essa votação, a parcela de Ruas subiu para 50,88%, assegurando sua eleição já na primeira etapa.

A mudança no quadro ocorreu depois que o TSE, na quinta-feira (8), derrubou a candidatura de Garotinho por cinco votos a dois. A maioria dos ministros entendeu que o ex-governador não preenchia as condições de elegibilidade exigidas, já que seus direitos políticos estavam suspensos.

Paes reconhece derrota e critica decisão

Na noite de 8 de outubro, Eduardo Paes havia reconhecido a derrota na corrida pelo governo estadual. “A eleição termina”, declarou o político, em nota publicada nas redes sociais.

Na mensagem, ele criticou a decisão da Justiça Eleitoral de anular os votos de Anthony Garotinho, motivo apontado para a não realização do segundo turno. “Infelizmente, a Justiça decidiu que não haverá segundo turno, contrariando a vontade dos eleitores. E decisão judicial a gente respeita. É assim que funciona”, afirmou.

Paes garantiu ainda que ele e o partido permanecerão vigilantes, acompanhando e cobrando o governo eleito diante da crise de segurança pública enfrentada pelo estado. Ele também criticou a próxima gestão, afirmando que ela “representa a continuidade do grupo político que está no poder há oito anos”.