Encerrado o primeiro turno da eleição, Eduardo Paes (PSD) segue sem um destino profissional definido após deixar a administração pública. O ex-prefeito abandonou o comando da prefeitura do Rio de Janeiro em março deste ano para tentar chegar ao governo do estado, mas a aposta não deu certo: ele foi derrotado pelo candidato apoiado por Jair Bolsonaro, Douglas Ruas (PL), ainda na primeira volta do pleito.

Em conversas reservadas com aliados, Paes revelou que impôs uma exigência para avaliar qualquer proposta de trabalho que apareça daqui para frente: o compromisso de continuar morando no Rio de Janeiro. A condição marca uma mudança de postura em relação ao último intervalo entre seus mandatos à frente da prefeitura da capital fluminense.

Mudança de postura

Naquela ocasião, o ex-prefeito deixou o Brasil e se mudou com a família para Nova Iorque. Durante o período em que viveu nos Estados Unidos, atuou como consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), uma das principais instituições financeiras de fomento da América Latina.

Desta vez, porém, o cenário é diferente. Paes não pretende se afastar da cidade onde nasceu e construiu sua carreira política. A decisão de permanecer no Rio está diretamente ligada aos planos que ele articula para os próximos anos, sobretudo no tabuleiro eleitoral local.

Projeto para 2028

O ex-prefeito já sinalizou que pretende ocupar um papel relevante na eleição municipal de 2028. O objetivo é apoiar a candidatura à reeleição de Eduardo Cavaliere, seu sucessor no comando da prefeitura do Rio. Com isso, mesmo fora dos cargos executivos, Paes deve seguir como uma peça central da política carioca nos próximos anos.

A movimentação ganha ainda mais peso em um contexto desafiador para o grupo político do ex-prefeito. Com a vitória de Douglas Ruas, o PL assumiu o controle do governo estadual e, segundo o cenário descrito, já coloca a prefeitura da capital fluminense na mira para o próximo ciclo eleitoral.

O embate entre Paes, que dominou a prefeitura do Rio por três mandatos, e a nova força bolsonarista no estado promete estruturar a disputa política no Rio de Janeiro até 2028. Enquanto isso, o ex-prefeito segue ouvindo propostas, mas com uma linha clara: só aceita um novo trabalho se puder construí-lo a partir da cidade que nunca deixou de ser o centro da sua vida.