A reta final da campanha pela Presidência da República foi marcada, na última semana, por uma polêmica envolvendo a divulgação de dados privados dos dois candidatos ao Palácio do Planalto: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

O embate começou quando Lula, durante o debate promovido pela Band e também em entrevistas, desafiou Flávio a abrir os seus sigilos fiscais — incluindo os de seus familiares — relativos aos últimos oito anos.

Em resposta, o senador não aceitou a proposta no formato apresentado pelo petista. Flávio fez uma contraproposta, impondo novas exigências para a liberação dos documentos.

Nenhum dado deve ser divulgado

Apesar das idas e vindas, a tendência, segundo o levantamento, é que nenhum dado pessoal dos candidatos seja efetivamente divulgado ao público.

As petições apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelos dois lados devem cumprir, na prática, outro papel: servir como instrumento retórico nos discursos aos eleitores e no próximo debate entre os candidatos à Presidência.

O que propôs Lula?

A proposta de Lula consistia em que Flávio Bolsonaro autorizasse a abertura de seus sigilos fiscais e dos sigilos de seus familiares, cobrindo o período dos últimos oito anos. O desafio foi feito publicamente, no debate da Band e em entrevistas concedidas pelo candidato do PT.

A resposta de Flávio, porém, veio na forma de uma contraproposta, que adicionou novas condições à abertura dos documentos — sem que os dois lados chegassem a um acordo efetivo sobre a divulgação.

Com isso, o chamado “desafio dos sigilos” se transformou mais em um palco de disputa política do que em uma promessa concreta de transparência. As movimentações no TSE devem alimentar os embates nos discursos de campanha e no próximo confronto televisionado entre os dois presidenciáveis.