O ex-ouvidor-geral das polícias do estado de São Paulo, Benedito Mariano, afirmou que a extrema direita, tanto no Brasil quanto em outros países, não tem interesse real em enfrentar o crime organizado. A declaração foi feita em crítica às propostas apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL).

Crítica às propostas do senador

Segundo Mariano, as medidas defendidas pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro representam, na avaliação dele, pura demagogia. Para o ex-ouvidor, o discurso adotado nesse campo político apela ao tema da segurança pública de forma superficial, sem apresentar soluções capazes de enfrentar de maneira efetiva as organizações criminosas.

A afirmação do ex-ouvidor coloca em debate um ponto central do discussion sobre segurança pública no país: a diferença entre propostas de endurecimento retórico e políticas que atacam as estruturas do crime organizado, como o financiamento das facções e sua atuação em territórios específicos.

Experiência na ouvidoria paulista

Benedito Mariano ocupou o cargo de ouvidor-geral das polícias do estado de São Paulo, função responsável por receber e apurar reclamações da população sobre a atuação dos policiais militares e civis. A experiência à frente da ouvidoria deu ao jurista contato direto com os problemas e as limitações da atuação policial no estado mais populoso do Brasil.

Ao deixar o cargo, Mariano passou a comentar com frequência temas ligados à segurança pública, ao sistema de justiça criminal e à conduta das polícias, tornando-se uma voz recorrente no debate sobre o tema.

O debate sobre segurança pública

A crítica de Mariano se insere em um contexto mais amplo, no qual a segurança pública ocupa posição central no debate político brasileiro. Para o ex-ouvidor, o problema do crime organizado exige respostas que vão além do discurso, envolvendo inteligência, investigação e políticas de Estado consistentes.

Na avaliação dele, setores da extrema direita no Brasil e no mundo utilizam o tema do combate ao crime de forma seletiva, sem se comprometer com o enfrentamento real das organizações criminosas. Essa postura, segundo Mariano, fica evidente quando propostas são apresentadas com apelo popular, mas sem lastro técnico ou institucional para produzir resultados concretos.

O senador Flávio Bolsonaro, alvo das críticas, tem defendido pautas voltadas ao endurecimento penal e à atuação das forças policiais, agenda que costuma mobilizar sua base de apoio no Congresso Nacional. A divergência entre as propostas do parlamentar e a avaliação do ex-ouvidor ilustra o embate sobre qual caminho o país deve seguir no enfrentamento das facções criminosas.