Na reta final da disputa, Lula optou por recusar o debate da Globo e escolheu o formato de entrevista no podcast Flow, marcado para o mesmo horário do encontro televisivo. O movimento foi lido como um recuo estratégico do líder das pesquisas e movimentou o tabuleiro eleitoral nos últimos dias de campanha.
Emboscada temida no estúdio
A bancada dissecou o recuo estratégico e avaliou que o estúdio da emissora representaria uma emboscada: todos os adversários de direita unidos com um único objetivo, desgastar o líder das pesquisas, sem qualquer equilíbrio de tempo entre os participantes. Diante desse diagnóstico, prevaleceu a avaliação de que comparecer ao encontro significaria entrar em um palco armado contra quem lidera as intenções de voto.
A alternativa encontrada foi a entrevista ao Flow, no mesmo horário do debate. Com a decisão, Lula troca o confronto direto com os rivais por um formato de conversa, no exato horário em que o encontro da Globo estará no ar.
Duelo de telas no mesmo horário
Com a decisão, a disputa pela atenção do eleitorado se divide entre duas telas. Enquanto o debate reúne os adversários de direita no estúdio da Globo, o líder das pesquisas aposta no alcance do podcast para falar com o público. O choque de agendas transforma a noite em um duelo de comunicação entre a entrevista e o debate televisivo.
Cartas marcadas, na avaliação de Noblat
Para o jornalista Ricardo Noblat, o encontro virou um jogo de cartas marcadas. Na análise dele, os rivais pouparão Flávio Bolsonaro durante o debate, de olho no apoio do bolsonarismo em um eventual segundo turno.
Na prática, a leitura de Noblat aponta para um embate contido: os concorrentes medirão os ataques a Flávio Bolsonaro porque pretendem preservar a chance de contar com o apoio do bolsonarismo caso a disputa siga para o segundo turno. Poupar o rival hoje, portanto, faz parte de um cálculo pensado para o desfecho da corrida.
A movimentação expõe o cálculo dos dois lados na reta final: o líder das pesquisas evita um palco avaliado como hostil, enquanto os adversários administram os ataques com o segundo turno no horizonte.
