A Folha e a Agência Lupa vão realizar checagens em tempo real das declarações dos candidatos durante o último debate presidencial, transmitido pela TV Globo nesta sexta-feira (23). O confronto entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ocorrerá após o Jornal Nacional.

Cada afirmação verificada receberá uma etiqueta de classificação — verdadeira, falsa, exagerada ou sem contexto —, acompanhada de uma explicação breve e de um link para a análise completa no site da Lupa. As apurações começarão durante o programa e seguirão após o encerramento, até a conclusão do trabalho.

Cobertura no Instagram

A cobertura incluirá também transmissões em vídeo. Serão cinco lives em formato colaborativo, exibidas nos perfis da Folha (@folhadespaulo) e da Lupa (@agencia_lupa) no Instagram. Nos intervalos do debate, o jornalista Bruno Ribeiro conversará com um checador da agência para apresentar os destaques do bloco anterior. Ao final, uma última transmissão resumirá as apurações da noite, e os cinco vídeos serão convertidos em postagens colaborativas nas duas contas.

A fundadora da Lupa, Cristina Tardáguila, explicou que a parceria com a Folha se deve ao alcance do jornal. “Sabemos que o nosso alcance é menor do que o alcance da mentira que é dita na televisão”, afirmou. “A Folha é um parceiro antigo e tem um alcance enorme.” A agência existe há 11 anos e, entre as campanhas eleitorais de 2016 e 2024, checou mais de 3 mil declarações de políticos.

Mobilização após o debate da Band

A checagem em tempo real atende a uma mobilização pública iniciada após o debate promovido pela TV Bandeirantes no último domingo (18). Naquele programa, a Lupa verificou 41 afirmações dos candidatos e constatou que 27 continham incorreções.

As falas dos candidatos motivaram petições públicas por checagem ao vivo. Um abaixo-assinado na plataforma Change.org reuniu 954 mil assinaturas, enquanto uma iniciativa organizada por professores, alunos e ex-alunos da Escola de Comunicações e Artes da USP somou mais de 12,5 mil adesões.

“O compromisso com a verdade não foi um parâmetro para os candidatos no debate de domingo passado. Com a checagem, feita em bases verificáveis, o eleitor poderá distinguir fato e informação falsa”, avaliou Suzana Singer, editora de Política da Folha.

Tecnologia e trabalho humano

A verificação contará com o sistema Lupita, desenvolvido pela própria agência. A ferramenta conecta bases de dados públicas de órgãos como IBGE, Ministério da Economia, Caged e Fundação Getulio Vargas, agilizando a consulta a informações oficiais durante o programa. Se um candidato citar estatísticas de emprego, por exemplo, o sistema apresenta o dado oficial do Caged em segundos. A equipe também utilizará um acervo de dados previamente checados.

A conclusão das verificações, porém, depende de análise humana: 20 jornalistas e especialistas atuam no processo. Esse critério diferencia o trabalho dos sistemas de inteligência artificial, que frequentemente erram nesse tipo de tarefa, mas impede verificações instantâneas — declarações do quarto bloco do debate, por exemplo, deverão ser publicadas após o fim do programa.

As campanhas dos candidatos foram comunicadas sobre a checagem e poderão enviar ponderações.