A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) deve ignorar o desafio lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a abertura do sigilo bancário e telefônico do senador no segundo turno das eleições de 2026.

Aliados do candidato avaliam que a tentativa do petista de constrangê-lo por causa do caso Master e de outros escândalos não ultrapassou a bolha da esquerda e tem efeito eleitoral limitado. Por isso, avaliam que não haveria prejuízo em recusar a pressão do adversário.

Desafio no debate

Na tentativa de virar o jogo contra Flávio Bolsonaro, Lula desafiou o adversário a abrir o sigilo telefônico e bancário durante o debate da Band, realizado no domingo (18). A provocação foi formalizada nesta terça-feira (20), quando o presidente registrou perante o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a proposta de quebra de sigilos.

No documento entregue ao TSE, Lula afirma que pode abrir o próprio sigilo, além dos da primeira-dama Janja Lula da Silva e de seus filhos — Lurian Cordeiro, Marcos Cláudio, Fábio Luís (conhecido como Lulinha), Sandro Luís e Luís Claudio Lula da Silva — desde que o adversário faça o mesmo.

O petista também se disse disposto a liberar o sigilo das empresas e CNPJs dos quais é sócio, contanto que o senador do PL adote a mesma medida. O desafio abrange ainda contas bancárias em que os candidatos figurem como responsáveis financeiros ou “usuário máster”.

Lula citou ainda o ex-presidente Jair Bolsonaro, a mãe do senador, Rogéria Bolsonaro, os irmãos — o senador eleito Carlos Bolsonaro (PL-SC), o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o deputado eleito Jair Renan Bolsonaro (PL-SC) — e a mulher do senador, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro.

Avaliação do PL

A pressão feita por Lula no debate tem sido amplamente compartilhada nas redes sociais por páginas e apoiadores do PT. Mesmo assim, integrantes da campanha do PL dizem não ter identificado impacto entre eleitores indecisos e classificam o movimento como sinal de desespero na reta final da eleição.

Sob reserva, integrantes do entorno do senador afirmaram que ele pretende manter o sigilo de suas contas e de seu telefone. Aliados argumentam que a vida do candidato tem sido devassada há anos e que seus rendimentos já foram informados ao TSE, sem necessidade de passar pelo constrangimento.

Há discussão interna sobre como lidar com o tema no debate da Globo, marcado para a sexta-feira (23), mas é considerado certo que Lula retomará o desafio sobre o sigilo.

Investigação no STF

Durante o debate, Flávio Bolsonaro afirmou que não abriria seu sigilo porque Lula não tem celular e declarou, sem apresentar provas, que o petista teria recebido dinheiro “por fora” de Daniel Vorcaro. O senador do PL tinha acordo com o ex-dono do Banco Master para o financiamento de um filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro, no valor de cerca de R$ 134 milhões.

A menção às contas bancárias decorre do fato de que Flávio Bolsonaro é investigado no STF (Supremo Tribunal Federal). A PF (Polícia Federal) enviou à corte um pedido de inquérito contra o senador, sob suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz, amigo pessoal do candidato presidencial.

O advogado também é investigado pela corporação por envolvimento com fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). A apuração envolvendo Flávio Bolsonaro teve origem em movimentações ligadas ao setor de apostas. Uma empresa desse ramo, de propriedade de Willer Tomaz, pagou voos do senador para a Europa em 2025.

Segundo a PF, o senador tinha acesso operacional relevante como usuário master em uma conta bancária da empresa offshore Alcazar Holding, da qual o advogado é sócio. Em maio de 2025, foi solicitada a exclusão do acesso do parlamentar.

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos, contra 45,16% de Lula. Segundo o Datafolha divulgado no dia 15, o candidato do PL aparece com 51% das intenções de votos válidos, ante 49% do petista. Uma nova pesquisa será divulgada nesta quinta-feira (22).