A disputa presidencial mais equilibrada dos últimos anos transformou as promessas de campanha em um dos principais temas do debate econômico. As propostas apresentadas pelos dois lados, caso sejam efetivamente implementadas, tendem a aumentar a pressão sobre o Orçamento da União.
Independentemente do resultado das urnas, o próximo governo enfrentará um desafio logo no início do mandato: reunir os recursos necessários para honrar os compromissos assumidos durante a campanha ou rever parte das promessas, sob o risco de agravar o desequilíbrio fiscal.
Impacto das propostas
Do lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a lista de medidas anunciadas ao longo da campanha pode ultrapassar R$ 283 bilhões em efeitos fiscais e financeiros, segundo os cálculos divulgados durante a eleição.
A equipe econômica do governo, no entanto, sustenta que esse montante será compensado no Orçamento de 2027. Segundo a pasta, a maior parte das medidas anunciadas não produzirá impacto imediato sobre as contas públicas.
Desafio para o vencedor
Seja qual for o resultado, o vencedor da eleição — o próprio Lula ou o senador Flávio Bolsonaro (PL) — terá de conciliar as promessas feitas em campanha com a necessidade de preservar o equilíbrio fiscal. A equação envolve encontrar fontes de financiamento para as propostas ou ajustar o escopo dos compromissos assumidos.
O cenário reforça que a agenda econômica do próximo mandato começará sob forte escrutínio, com a necessidade de detalhar, já nos primeiros meses, como as promessas eleitorais serão encaixadas no Orçamento sem comprometer as contas do governo federal.
