O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira, 14, a retirada das sanções que pesavam contra Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela e irmão da presidente interina do país, Delcy Rodríguez.

Jorge Rodríguez figurava na lista de sancionados desde 2018, ainda no primeiro mandato de Trump, período em que Washington passou a punir integrantes do círculo político do então presidente Nicolás Maduro. As medidas contemplavam o congelamento de bens sob jurisdição americana, a proibição de transações financeiras com cidadãos e empresas dos EUA e restrições de viagem.

Nome de peso no chavismo

Com 60 anos, Jorge Rodríguez comanda o Parlamento venezuelano desde 2021 e é uma das principais lideranças do chavismo. Foi vice-presidente de Hugo Chávez e ministro da Comunicação, e atualmente conduz as negociações do governo com setores da oposição.

Uma nova rodada dessas conversas, com apoio dos Estados Unidos, está marcada para esta quarta-feira. Na pauta, mudanças no sistema político venezuelano, com reformas no Judiciário e no Conselho Nacional Eleitoral (CNE), órgão encarregado de organizar as eleições.

Pleito segue sem data

Delcy prometeu convocar novas eleições, mas o calendário ainda não foi definido. A líder opositora María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, defende que a votação aconteça até julho de 2027. Em setembro, durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, a presidente interina se reuniu pessoalmente com Trump pela primeira vez e reiterou o compromisso com a realização do pleito.

Reaproximação com Washington

O fim das punições representa mais um passo na aproximação entre Washington e Caracas, movimento iniciado após a captura de Maduro, durante uma operação militar dos Estados Unidos realizada em 3 de janeiro. Desde então, os dois governos avançaram em entendimentos nas esferas política e econômica.

Nos últimos meses, Jorge Rodríguez liderou a aprovação de reformas que ampliaram a participação de empresas estrangeiras na exploração de petróleo e minerais e abriram caminho para investimentos privados no setor elétrico. Em setembro, os dois países firmaram um acordo que garante aos Estados Unidos acesso a um quinto das reservas de petróleo venezuelanas.