Uma falha de segurança na linguagem de programação PHP, amplamente utilizada na construção de sites ao redor do mundo, provocou nesta semana um verdadeiro caos na internet. Após o vazamento das informações, diversos sistemas passaram a sofrer tentativas de invasão, e organizações em vários países precisaram tirar suas páginas do ar. No Brasil, tribunais e outras instituições adotaram a mesma medida até que o problema fosse contornado.
O que é o PHP e por que ele importa
O PHP é uma das linguagens de programação mais populares para o desenvolvimento de sites. Ela funciona como uma ponte entre os dados enviados pelos usuários e os servidores e bancos de dados das organizações. Plataformas como Facebook, Wikipédia, Moodle e WordPress utilizam essa tecnologia em seus sistemas.
As falhas críticas, conhecidas como zero-day, foram identificadas em agosto por empresas de cibersegurança e por lideranças do mercado de inteligência artificial, como a OpenAI, criadora do ChatGPT. As organizações já haviam repassado as informações à PHP Foundation, entidade responsável pela manutenção da linguagem. No entanto, um vazamento ocorrido um dia antes do lançamento de uma nova versão da linguagem desencadeou a crise global.
Alerta internacional
Nos Estados Unidos, a Agência de Segurança Nacional (NSA) recomendou que as organizações corrigissem as vulnerabilidades imediatamente ou desligassem os sistemas afetados. Em comunicado publicado no X, a agência afirmou que as falhas “frequentemente proporcionam um caminho direto para o sistema de arquivos ou para o banco de dados do servidor”. Com isso, hackers poderiam explorar as vulnerabilidades para assumir o controle de servidores de sites sem necessidade de senha.
Medidas no Brasil
No país, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) suspendeu temporariamente o acesso externo ao Sistema Eletrônico de Informações (SEI) e a outros serviços digitais. O governo federal também divulgou um comunicado por meio do Centro Integrado de Segurança Cibernética do Governo Digital (CISC).
O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) informou que a situação foi “prontamente comunicada a todas as unidades de tecnologia do governo federal para retirar temporariamente do ar todos os sistemas desenvolvidos em PHP”.
Já o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) explicou ao g1 que alertou os gestores de Tecnologia da Informação da Administração Pública Federal e solicitou a atualização imediata dos sistemas. A PHP Foundation, por sua vez, já disponibilizou atualizações de emergência que corrigem as falhas. Contudo, é necessário que os usuários instalem as atualizações em seus sistemas para que a proteção seja efetivada.
Tribunais e serviços afetados
O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) e o Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6) suspenderam o acesso ao SEI e a outros sistemas internos.
No cenário internacional, sites da administração pública da França também saíram do ar. Já nos Estados Unidos, as autoridades pediram que entidades e organizações verificassem e suspendessem, em tempo recorde, suas páginas até que a falha fosse totalmente resolvida.