O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), André Mendonça, afirmou, em nota enviada à imprensa, que a minuta que previa o bloqueio de canais políticos de WhatsApp a 48 horas da votação deste domingo (25), no segundo turno das Eleições 2026, não foi uma iniciativa individual. Segundo o ministro, o texto ainda está em deliberação e depende de votação do colegiado.
De acordo com a nota, por decisão conjunta, ficou a cargo de Mendonça elaborar o texto, que seria submetido à avaliação e à deliberação de todos os ministros. O ministro afirmou que houve reuniões prévias e que “houve consenso entre todos os ministros sobre a necessidade de tratar do assunto”.
A minuta foi revelada pela Folha, segundo a qual Mendonça circulou uma proposta de resolução para bloquear todos os canais de WhatsApp com mais de 200 mil usuários nas 48 horas anteriores à eleição. A apuração do jornal, no entanto, indicou que o consenso entre os integrantes da corte existia apenas quanto ao bloqueio de novos canais políticos às vésperas do pleito — não havia apoio para proibir os canais já existentes.
Proposta atinge canal de apoio a Lula
A medida atingiria em cheio o Exército do Lula, canal de WhatsApp criado pelo deputado André Janones que já soma mais de 7 milhões de inscritos e tem conseguido mobilizar a esquerda nas redes.
A campanha de Flávio Bolsonaro já entrou com várias representações pedindo ao TSE a derrubada do canal de Janones, que chegou a ser censurado pelo presidente da corte, ministro Kassio Nunes Marques, mas voltou ao ar. O canal de apoio a Flávio no WhatsApp, o Tropa do Flávio, também seria atingido pela regra — mas tem 2 milhões de inscritos, bem menos que o canal de Lula, e engajamento menor.
Kassio rejeita mudanças de última hora
Após a publicação da reportagem, Kassio afirmou não ser a favor de alterações de resoluções eleitorais de última hora, às vésperas da eleição. Ele também se distanciou da minuta, ao afirmar que o autor do texto era Mendonça, mas que o teor teria sido discutido com os demais ministros da corte.
O gabinete de Mendonça, em nota, defendeu o objetivo da proposta: “proteger a integridade do pleito nas horas que antecedem e sucedem a votação, quando não há tempo hábil para resposta ou correção de conteúdos ilícitos”.
O texto acrescentou que “os critérios em análise são objetivos e impessoais e valem igualmente para todos os canais de natureza político-eleitoral de grande alcance, qualquer que seja o candidato, o partido ou a orientação política”.
