A defesa de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, protocolou nesta sexta-feira (23) nova manifestação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para cobrar que Lula cumpra as promessas de transparência feitas ao longo do embate entre as duas campanhas. No documento, os advogados pedem a abertura dos dados do cartão corporativo da Presidência e a divulgação das listas de visitantes do Palácio do Planalto.
A movimentação é mais um capítulo do chamado “desafio dos sigilos”, que ocupa o debate eleitoral há dias. A controvérsia começou quando o petista desafiou o senador a tornar públicos os próprios dados fiscais, bancários e eletrônicos — dele e de parentes — relativos aos últimos oito anos.
Resposta e contraproposta
Na primeira reação, a defesa de Flávio classificou a investida de Lula como “promessa vazia” e “factóide”. Ainda assim, apresentou uma contraproposta ao desafio, porém cercada de condições: a exigência de que sejam divulgadas contas relativas a um período maior, de 20 anos.
Segundo o pedido encaminhado ao TSE, a abertura deveria alcançar as contas do próprio presidente, de aliados e de familiares do petista, como o irmão, Frei Chico, e o filho, Fábio Luís, o Lulinha. A lista de exigências inclui ainda dados sobre o Instituto Lula, palestras e compromissos oficiais.
Entendimento do relator
Diante da sequência de petições apresentadas ao tribunal, o ministro André Mendonça, relator da discussão na Corte eleitoral, deu um direcionamento ao caso. Segundo ele, os sigilos individuais são disponíveis — ou seja, cada titular pode renunciar a eles por vontade própria, sem necessidade de ordem judicial.
Na prática, o entendimento aponta que os próprios envolvidos podem liberar seus registros sem depender de decisão da Justiça. A orientação do relator veio após a sequência de exigências cruzadas entre os dois lados.
O caso segue em tramitação no tribunal eleitoral, com o chamado “desafio dos sigilos” transformado em bandeira de cobrança mútua entre as duas campanhas.