O presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, anunciou nesta terça-feira (13) que 16 diretórios estaduais da legenda, além do Distrito Federal, apoiam Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República. O anúncio foi feito em São Paulo, em evento com o senador e seus principais cabos eleitorais no estado: o governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB).

Estão com o filho de Jair Bolsonaro os diretórios de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Norte, Mato Grosso, Goiás, Amapá, Acre, Tocantins, Roraima, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Sergipe e o Distrito Federal. Os dez restantes —Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraíba e Rondônia— divulgaram nota nesta terça declarando apoio a Lula na reta final da campanha.

Compromissos citados por Rossi

Após o primeiro turno, Flávio já havia conquistado a adesão das principais legendas do centrão —federação União Brasil-PP, Republicanos e Podemos—, que já disputam ministérios em um eventual governo do senador. Ao confirmar o endosso, Rossi citou valores importantes para o MDB, como a ‘defesa incondicional da nossa democracia’, o ‘apelo à pacificação nacional’ e a melhora da qualidade dos gastos públicos, com ênfase na área social.

‘Tenho certeza que com muita ênfase, muita seriedade e trabalho, vamos ter a grande vitória da mudança no nosso país’, afirmou Rossi. Flávio declarou que ‘não tem mais esquerda e direita’ e que a população deseja mudança.

Críticas ao STF e visita ao pai

O senador voltou a atacar o Supremo Tribunal Federal. Segundo ele, a Justiça perdeu credibilidade e ministros aliados de Lula ‘continuam tentando interferir nas eleições’, sem citar decisões que sustentem a acusação. ‘Muita gente desavisada quando olha para Bolsonaro acha que é alguma ameaça à democracia. Você nunca vai ver um presidente da República que vai defender mais as instituições do que Flávio Bolsonaro’, disse.

O STF condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado em 2022, após a derrota para Lula. Nesta terça, Flávio visitou o pai pela primeira vez desde julho, após autorização do ministro Alexandre de Moraes para a retomada dos contatos. Segundo o senador, o encontro o deixou mais motivado a mobilizar eleitores —ele chegou a sugerir que apoiadores digam a eleitores de Lula que eles votariam como membros do PCC e suspeitos de roubo de celular.

Promessas e ataques

Flávio agradeceu o empenho de Tarcísio e Nunes, que pressionaram Rossi pela declaração de apoio. Prometeu endurecer a segurança pública, fez acenos às mulheres e criticou o pacote anunciado pelo governo para os microempreendedores. Segundo ele, os MEIs ‘passaram quatro anos sendo massacrados’ com ‘a maior carga tributária da história’. ‘Tudo isso a 12 dias das eleições. Por que não fez isso em quatro anos?’, questionou.

O candidato repetiu a intenção de criar um ministério ‘da prosperidade’, sem detalhar atribuições, e afirmou que votará pelo fim da escala 6×1, apesar de ter chamado a discussão de oportunista. À noite, em evento de entidades associativas, perguntou: ‘Ele [Lula] está achando que o povo é otário?’. Ele também pediu um grande movimento ‘verde e amarelo’ para a data do último debate.

Tarcísio defendeu alinhamento entre o governo federal e o estado de São Paulo —acusa a gestão Lula de sabotar projetos no estado, o que os petistas negam— e prometeu ‘apoio integral, em momentos bons e difíceis’ ao senador. Flávio disse ainda que não há previsão de comparecimento ao debate da Band no domingo (18), enquanto sua equipe avalia a participação no último confronto, na TV Globo.