O mapa do próximo Congresso Nacional aponta cenários bem distintos para quem ocupar a Presidência da República. Projetado como a maior força da Câmara dos Deputados e do Senado, o PL daria a um eventual governo Flávio Bolsonaro uma base parlamentar mais sólida, enquanto um quarto mandato de Lula tende a lidar com atritos constantes junto ao Legislativo. A leitura é do editor de política de VEJA José Benedito da Silva, feita no programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal.

O peso do PL nas duas Casas

O PL elegeu 121 deputados federais e passará a contar com 28 senadores — números que ampliam de forma expressiva o peso da sigla nas duas Casas. Marcela Rahal retomou declaração de Jair Bolsonaro, feita antes de sua condenação, em que ele pedia dos apoiadores 50% do Congresso e afirmava que, atingida essa marca, não precisaria ser presidente para influenciar os rumos do país.

Para José Benedito, Bolsonaro vinha tratando a disputa parlamentar como uma batalha estratégica. O crescimento do PL não assegura maioria para decidir sozinho as principais votações, mas amplia a capacidade do partido de pautar debates e de disputar o comando da Câmara e do Senado.

No Senado, os 28 parlamentares da legenda representam quase um terço das 81 cadeiras. O partido ainda precisará costurar alianças para formar maiorias — inclusive em eventuais iniciativas contra ministros do Supremo Tribunal Federal —, mas passa a ter força relevante na escolha do presidente da Casa, posto decisivo para definir quais pautas avançam.

O avanço do PL acontece em paralelo ao encolhimento de partidos do chamado Centrão, como União Brasil, PP, PSD e MDB. Segundo a análise, o movimento reduz a margem de manobra dos grupos que tradicionalmente pesam na eleição para o comando da Câmara. “Com o Centrão enfraquecido e o PL anabolizado, fica muito difícil”, resumiu José Benedito.

Cenário favorável para Flávio Bolsonaro

Se vencer a corrida presidencial, Flávio Bolsonaro encontraria um ambiente parlamentar mais receptivo à sua agenda. Além das bancadas do próprio PL, Marcela Rahal destacou a presença de políticos de direita, de centro-direita e de outras legendas que poderiam votar alinhados ao eventual governo. “Ele vai ter uma facilidade gigantesca com o Congresso Nacional ali na mão”, avaliou a apresentadora, ao lembrar que a sustentação política não dependeria exclusivamente do partido.

Obstáculos para um eventual Lula 4

O quadro seria bem mais adverso em caso de reeleição de Lula. José Benedito lembrou que o presidente já enfrenta dificuldades na relação com o Senado na configuração atual e avaliou que uma Casa ainda mais inclinada à direita elevaria o potencial de choques entre Executivo e Legislativo.

“Agora você imagina o Lula reeleito num Congresso onde o PL bolsonarista tem a maioria no Senado e na Câmara. Isso vai ser fonte de crises permanentes”, afirmou o editor. Para ele, “vai ser bem difícil para Lula administrar o país com um Congresso com essa formatação”.