Os candidatos à Presidência da República Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) assinaram nesta quinta-feira (22) um acordo de quebra mútua dos sigilos bancário, fiscal e telefônico, que alcança também parentes dos dois candidatos. O documento foi firmado na sede do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e prevê a disponibilização pública das informações até o fim do dia.

Acordo após dias de pressão

O petista havia desafiado o adversário a abrir seus sigilos no domingo (18), durante o debate da Band. Na ocasião, Flávio Bolsonaro recusou o pedido, mas depois passou a impor condições para aderir à proposta. A campanha petista pressionava publicamente pelo aceite.

Flávio não compareceu à assinatura e foi representado por sua equipe jurídica. “O presidente Lula assinou por ele próprio porque ele sempre defendeu a transparência de seus dados”, afirmou o presidente do PT, Edinho Silva, após o ato.

Divergências antes da assinatura

Pouco antes do acordo, as campanhas demonstravam atritos. A advogada eleitoral de Flávio, Maria Claudia Buchianeri, pediu que as quebras de sigilo abrangessem um período mais longo do que os oito anos citados na petição inicial de Lula.

“Lula está no poder há quase 20 anos, então a gente precisa saber se nesse período ele e sua família e empresas enriqueceram”, disse a advogada. Ela também exigiu informações sobre entradas e saídas dos palácios da Alvorada e do Planalto e sobre o telefone do ex-chefe de gabinete do petista, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Segundo ela, a análise contará com apoio do senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR), ex-procurador da Operação Lava Jato.

A defesa de Flávio condicionou a entrega dos documentos do candidato à checagem prévia dos materiais apresentados por Lula. Mesmo com o acordo firmado, aliados do presidente duvidam que o adversário cumpra a promessa.

Empresa ligada a Willer Tomaz gerou embate

Segundo aliados de Lula, a campanha bolsonarista tentou deixar fora do acordo uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio e alvo de investigações. “Eles acataram depois de nós não cedermos e nós colocamos como condicionante que eles acatassem”, declarou Edinho Silva, acompanhado do senador Camilo Santana e do ministro Guilherme Boulos.

“Daqui a até domingo a nossa expectativa é que o Brasil vai saber quem é o ladrão e quem é honesto”, afirmou Boulos.

Um integrante da campanha de Flávio relatou que a advogada se sentiu encurralada e assinou o termo sem concordar com todas as medidas, já que a recusa poderia prejudicar a candidatura e passar a impressão de que há algo a esconder. A defesa não descarta voltar ao TSE para rever pontos do acordo e discutir a necessidade de autorização judicial do ministro André Mendonça.

Após a assinatura, Dallagnol criticou o petista: “Mais uma vez Lula frustrou e descumpriu sua promessa. Lula não entregou documentos. O que basicamente apresentou foi mais uma petição, mais um pedido para que tudo seja entregue por todo mundo, que já estava nos autos”.

Lista de sigilos

O acordo prevê o levantamento dos sigilos das pessoas listadas na petição inicial. Do lado petista, constam Lula, a primeira-dama Janja Lula da Silva e os filhos Lurian, Marcos Cláudio, Fábio Luís (Lulinha), Sandro Luís e Luís Cláudio, além da empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações, da qual o presidente é sócio.