A campanha do presidente Lula (PT) anunciou nesta quarta-feira (21) que não se opõe a nenhuma das condições impostas por Flávio Bolsonaro (PL) para a abertura dos sigilos bancário e telefônico — incluindo a quebra dos dados do ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. A declaração é do porta-voz petista, o ex-ministro Camilo Santana.
Segundo Camilo, a autorização referente a Marcola será protocolada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) às 11h desta quinta-feira (22). A campanha desafiou o rival a apresentar o documento no mesmo horário.
“De todas as condicionantes que ele colocou, a única resposta que o presidente tem é dizer que não se opõe a absolutamente nada do que ele está propondo. Contanto que ele também cumpra e abra tudo o que estava no pedido que o presidente protocolou no TSE”, afirmou o ex-ministro.
Origem do impasse
O embate começou quando Lula desafiou Flávio a abrir os próprios sigilos, além dos dados de pessoas e empresas ligadas aos dois lados. Em seguida, o petista registrou no TSE a autorização para abrir os próprios dados, os dos filhos, da primeira-dama, Janja, e dos netos maiores de 18 anos.
Em resposta, Flávio condicionou sua adesão à inclusão de Marcola no pedido. A campanha de Lula aceitou a contraproposta, mas criticou uma alteração no documento apresentado pelo adversário: a retirada da Alcazar Holdings.
“O que nós estranhamos é que ele tirou uma empresa, que é a empresa de nome Alcazar Holdings, que é exatamente a empresa que ele tem, vocês acompanham todas as matérias e jornais da empresa que saíram, que ele tem uma conta master com o Willer Tomaz”, disse Camilo.
Investigação da PF
O porta-voz se refere ao inquérito da Polícia Federal que apura suspeita de lavagem de dinheiro contra Flávio envolvendo o advogado Willer Tomaz, amigo e sócio do senador. Willer também é investigado por participação em fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Conforme a apuração, o presidenciável tinha acesso operacional relevante como usuário master em uma conta bancária da offshore Alcazar Holding, da qual o advogado é sócio.
A menção de Camilo à empresa retoma a revelação de que Flávio manteve conta conjunta com Willer Tomaz por meio de companhia com esse nome. Segundo a revista Piauí, há indícios de que a holding de apostas Cathedral teria financiado a Alcazar, supostamente ligada ao candidato do PL.
Caso Marcola
Do lado petista, a PF aponta que Marcola recebeu dinheiro da lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, enquanto ela tentava negociar contratos com o governo federal — articulações que não foram concretizadas. Tanto o ex-chefe de gabinete quanto a lobista sustentam que os repasses tinham caráter de empréstimo pessoal.
Estratégia de campanha
Lula defende a abertura dos sigilos desde o último domingo (18), no debate presidencial da Band. A campanha petista avalia o tema como um dos pontos altos da participação do presidente no confronto e identifica que a recusa inicial de Flávio provocou desgaste junto a setores do eleitorado.
