O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, começou o segundo turno concentrado em articulações para garantir o apoio do centrão. Tratado como favorito no meio político, ele evita responder às cobranças para detalhar suas propostas, sobretudo na área econômica.

Flávio encerrou o primeiro turno à frente de Lula (PT), com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% do petista. Na pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (8), apareceu com 52% das intenções, contra 48% do presidente.

A campanha já discute internamente nomes para um eventual ministério, mas uma série de pontos do plano de governo segue sem explicação. O programa prevê cortes de despesas e impostos, e a equipe econômica busca R$ 250 bilhões para um eventual governo, segundo revelação da Folha.

Temas em aberto

A dimensão do ajuste levantou dúvidas sobre como o corte seria feito sem atingir áreas sociais. O PT partiu para a ofensiva, afirmando que o bolsonarista eliminaria conquistas sociais — o que ele negou.

Para fugir de temas impopulares, Flávio não detalhou medidas como a proibição das bets, o aumento real do salário mínimo e a correção das aposentadorias. Em 2022, um dos maiores desgastes da campanha de reeleição de Jair Bolsonaro (PL) veio da revelação de que mínimo e aposentadoria não seriam corrigidos nem pela inflação, em plano liderado pelo então ministro da Economia, Paulo Guedes.

Aliados do senador, líderes do centrão e interlocutores próximos a Lula avaliam que a campanha deste ano deu pouco espaço a propostas. Para políticos, o escândalo do Banco Master e o STF (Supremo Tribunal Federal) roubaram a cena.

Pressão sobre programas sociais

A estratégia do PT é explorar a política social e fiscal do adversário. Nos últimos dias, Flávio precisou se explicar sobre a manutenção de programas sociais, a redução de benefícios e a desvinculação das aposentadorias dos reajustes do salário mínimo.

O candidato fala em criar um novo teto de gastos, enxugar a máquina e reduzir impostos para o setor produtivo. O grupo estudou desvincular os reajustes da Previdência e do BPC (Benefício de Prestação Continuada) dos ganhos reais do piso salarial e acabar com os pisos constitucionais da saúde e da educação.

Questionado, Flávio afirmou que dará ganho real aos aposentados, mas não comentou os pisos de saúde e educação — desde 1934, apenas em ditaduras o país ficou sem gasto mínimo na educação.

“Eu não vou fazer economia em cima de quem precisa, das pessoas mais carentes desse Brasil. Aposentado, fique tranquilo, não caia nessa fake news do PT dizendo que eu vou acabar com o reajuste da aposentadoria”, declarou na quinta-feira (8).

Um novo site do candidato diz apenas que Flávio vai “manter e proteger a aposentadoria”, sem indicar se haverá ganho real. As propostas da página, criada para combater o que a campanha chama de fake news, são genéricas. Segundo o texto, “pagar a aposentadoria dos brasileiros é uma das primeiras obrigações do governo” e “ninguém vai mexer no que é seu”.

Sobre o salário mínimo, o site afirma que o candidato “não pretende desvincular da inflação”, mas silencia sobre ganho real. Após o primeiro turno, Flávio prometeu reajuste acima da inflação “para repor perdas” causadas “pelo caos econômico do governo Lula”. O governo Jair Bolsonaro, no entanto, não propôs aumento real do piso no Orçamento em nenhum ano de gestão.

O Bolsa Família também rendeu cobranças. No primeiro turno, Flávio criticou o aumento concedido por Lula, mas garantiu que manteria o reajuste de 15%, que elevou o valor mínimo do benefício a R$ 691.